Papa Francisco canoniza primeiros santos de seu pontificado e fala indiretamente sobre o aborto PDF Imprimir E-mail
Milhares de pessoas participaram na praça de São Pedro, no Vaticano, da missa presidida pelo papa Francisco para a proclamação de novos santos, os primeiros canonizados no seu pontificado.

Um grupo de mártires italianos e duas religiosas latino-americanas são os primeiros santos deste pontificado e o reconhecimento oficial da sua santidade foi anunciado por Bento 16 em fevereiro de 2012, de acordo com informações do serviço de notícias do Vaticano.

Entre os novos santos está a colombiana Laura de Santa Catarina de Sena (1874-1949), a primeira católica do país a ser canonizada. Madre Laura Montoya fundou a Congregação das Irmãs Missionárias da Beata Virgem Maria Imaculada e de Santa Catarina de Sena, uma congregação atualmente presente em 21 países da África, Europa (Espanha e Itália) e, sobretudo, América Latina.

A outra nova santa é a mexicana Maria Guadalupe García Zavala (1878-1963), que participou na criação da Congregação das Servas de Santa Margarida Maria e dos Pobres.

Além das latino-americanas, foram também canonizados hoje o italiano Antonio Primaldo, juntamente com cerca de 800 companheiros, assassinados "por ódio à fé" a 13 de agosto de 1480, na cidade de Otranto, durante uma invasão levada a cabo por tropas otomanas (turcas). Todos foram decapitados nos arredores da cidade do sul da Itália por se terem recusado a renegar à própria fé.

"Conservemos a fé que recebemos e que é o nosso verdadeiro tesouro, renovemos a nossa fidelidade ao Senhor, mesmo no meio dos obstáculos e das incompreensões; Deus nunca nos fará faltar força e serenidade", disse o papa.

"Santa Laura Montoya foi instrumento de evangelização primeiro como mestra e depois como madre espiritual dos indígenas. Esta primeira santa nascida na formosa terra colombiana ensina-nos a ser generosos com Deus, a não viver a fé solitariamente –como se fosse possível viver a fé isoladamente…", comentou a respeito da santa.

"Santa Guadalupe Garcia Zavala renunciou a uma vida cômoda para seguir a chamada de Jesus, ensinava a amar a pobreza, para poder amar mais aos pobres e aos enfermos. Madre Lupita ajoelhava-se no chão do hospital, diante dos doentes e dos abandonados, para os servir com ternura e compaixão. Esta nova santa mexicana convida-nos a amar como Jesus nos amou", finalizou o papa.

Após as palavras do papa, soou música sacra e os olhares dos milhares de fiéis reunidos para a cerimônia se dirigiram para os dois grandes retratos das freiras latino-americanas e uma tapeçaria que representa os "mártires de Otranto".

O canonização foi pedida a Francisco pelo cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação das Causas dos Santos. Depois, o papa procedeu ao rito de canonização, uma longa fórmula em latim.

"Os incluímos no livro dos santos e estabelecemos que em toda a Igreja sejam devotamente honrados entre os santos", acrescentou o papa. A cerimônia foi celebrada em uma manhã ensolarada, embora com algumas nuvens, na praça de São Pedro do Vaticano e da mesma participam delegações oficiais de Colômbia, México e Itália. 

O papa Francisco também pediu neste domingo que "seja garantida a proteção jurídica do embrião", de forma que "o ser humano seja protegido desde o primeiro instante de sua existência".

Trata-se da primeira vez que o papa se pronuncia publicamente sobre este controverso tema que provoca debate em muitos países europeus ao defender o "caráter sagrado da vida" desde sua concepção, uma condenação indireta ao aborto.

O papa saudou os participantes em Roma de uma grande marcha popular que contou com a participação de pessoas de diferentes paróquias e de membros de organizações pró-vida provenientes de vários pontos da Europa.

Francisco, que já havia mostrado suas posturas conservadoras sobre estes temas quando era arcebispo de Buenos Aires, convidou a manter "viva a atenção de todos sobre o tema tão importante do respeito à vida desde a concepção".
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