Esgoto à céu aberto - Parte I: O Catolicismo desafinado dos padres cantores- Por Donato Rossetto PDF Imprimir E-mail
O Catolicismo desafinado dos padres cantoresDesde que o Concílio Vaticano II escancarou as portas da Igreja ao mundo, um vendaval satânico adentrou no sagrado recinto e o vem devastando continuamente.


Com esse vento impetuoso, as águas pútridas da apostasia infiltraram-se e correm velozmente, aclamadas como águas lustrais pelos cegos e surdos que se deixaram enredar pela mentira diabólica dessa concepção falsa de uma igreja renovada. Nos tempos lastimáveis que vivemos, testemunhamos cada dia as novidades que vão solapando a Fé Católica e reduzindo-a a um sentimentalismo bizarro. Protagonistas desse espetáculo horroroso são os ditos “padres cantores”, fenômeno midiático que tomou de assalto os espaços outrora reservados para a música profana, muito bem acomodados, diga-se de passagem.

Com uma certa angústia vemos a ascensão de padres, astros sem batina e sem fé, que cantando canções adocicadas, pretendem realizar um apostolado mundano que em nada acrescenta para a salvação das almas porque está completamente inebriado pelo veneno do século: o relativismo e o hedonismo.

Curiosamente, aquela imagem tradicional de sacerdotes cultos e piedosos nos assuntos de Deus e da Igreja, modestos, humildes e imprescindíveis operários na vinha do Senhor, esfarelou-se dando lugar a psicólogos de academia de musculação, gurus bonitões de cabeceira e bisonhos apoiadores de inovações comportamentais que são o aparato de uma sociedade afastada das coisas do Céu e cada vez mais imbecilizada.

Um desses sacerdotes se veste como caubói, usando calças justíssimas para desvario de uma claque de mulheres de idades várias, alheias ao significado e grandeza do sacerdócio católico, porque veem o sujeito com olhos repletos de luxúria e desejos sexuais. Cantando ou apresentando programas, o tal padre mostra uma completa ignorância da missão para a qual ele foi separado por Deus do mesmo mundo que deseja agradar com suas músicas de letras enjoativas, bregas e eivadas de sentimentalismo da pior espécie. É de chorar tamanho acinte contra a verdadeira missão sacerdotal.

Um outro padre cantor, mais veterano na arte de entreter um bando de desesperadas de auditório, é o favorito de 9 entre 10 solteironas, donas de casa insatisfeitas e outros católicos do IBGE. Apresenta-se à paisana (porque a responsabilidade de uma batina é algo insuportável), usa roupas moderninhas, corpo sarado de quem não se dedica às coisas celestes e espirituais, somente às coisas do mundo e da carne, domina a arte da conversa mole e comporta-se de um jeito que faria chorar de amargura o Santo Cura d'Ars.


Volta e meia publica um ou outro livreco que não tem traço algum de catolicidade e ortodoxia (seria pedir demais), mas serve para alimentar os sonhos relativistas de quem acredita que é possível salvar-se sem a Fé Católica em sua integralidade, aderindo às próprias crenças mundanas e desejos torpes. Mantém atualizado seu Twitter com milhares de seguidores ávidos por suas postagens que nem de longe dizem tratar-se da lavra de um sacerdote. Se publica uma foto sua na rede social, a avalanche de comentários licenciosos de fãs excitadas e atrevidas é inevitável. Já deu declarações sobre o casamento gay que foram aplaudidas pela mídia à toa e ateia, mas que são contrárias ao que a Igreja que ele diz pertencer ensina desde sempre. Participa de programas de televisão onde o que mais se vê é o compromisso com a destruição da família e das bases cristãs da sociedade.


Produtos de uma mídia nefasta e satânica. Tudo isso para amealhar mais cobres para a conta bancária em shows caríssimos e cachês idem. Humano demais, sagrado de menos. Não interessa agradar à Deus, interessa agradar ao próprio ego.


Com um “apostolado” desses quem precisa de conversão? Talvez nós que ainda nos escandalizamos com tanto vilipêndio ao sacerdócio católico. Tal é a contribuição nefasta desses chamados “padres cantores”, contribuição que engrossa o esgoto à céu aberto que vai nos submergindo até que Deus tenha misericórdia do rebanho de Cristo abandonado à própria sorte e coloque um fim no martírio de Sua Igreja. (Por Donato Rossetto)

 

Donato Rossetto é jornalista especializado em religião e colaborador dos portais Catolicismo Romano e Rádio Italiana. 

 

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