Estátuas de italianos correm risco de ser removidas nos EUA PDF Imprimir E-mail
Não são apenas as estátuas de líderes confederados que estão na mira de ativistas nos Estados Unidos.   


Em meio à polêmica sobre esculturas de generais escravocratas, obras em homenagem ao navegador genovês Cristóvão Colombo e ao aviador italiano Italo Balbo também correm o risco de ser removidas.   


Uma estátua do homem que entrou para a história como o “descobridor da América” situada em frente à entrada principal do Central Park, no coração de Nova York, foi incluída em uma lista de monumentos que serão reavaliados pelo governo municipal, a pedido de alguns vereadores.   


Segundo eles, Colombo foi um conquistador “implacável” e que assassinou e escravizou “milhares de nativos americanos”. A obra fica em cima de um obelisco e foi dada de presente a Nova York pela comunidade italiana da cidade em 1892.   


A estátua é uma das mais famosas da metrópole e fica no “Columbus Circle”, o marco zero do município norte-americano. O prefeito Bill de Blasio nomeou uma comissão que terá 90 dias para analisar quais monumentos podem instigar o ódio ou o racismo.   


Para Libby O’Connell, historiadora-chefe do canal “The History”, a estátua não deve ser removida. “Colombo não foi um santo, mas tampouco um vilão. Teve o mérito de contribuir, por parte dos europeus, com a descoberta do norte e do sul da América”, disse.   


Aviador – Outra escultura sob risco é uma que retrata o aviador Italo Balbo em Chicago e que está na mira de manifestantes. O monumento foi doado à cidade em 1934, por Benito Mussolini (1883-1945), em homenagem a um dos líderes da “Marcha sobre Roma”, passeata que, em 1922, forçou o rei Vittorio Emanuele III a entregar o governo italiano ao fascismo.   


Um ano antes da inauguração da estátua, Balbo havia feito um voo transatlântico entre Roma e a principal cidade de Illinois.   

Naquela época, Itália e Estados Unidos ainda mantinham boas relações, e a empreitada do aviador foi acompanhada com bastante atenção pelos norte-americanos.   


“A Itália fascista, com o patrocínio de Benito Mussolini, apresenta a Chicago a comemoração de um voo de Balbo no 11º aniversário do regime”, diz uma placa na base do monumento. A polêmica sobre a remoção de estátuas nos EUA voltou a ganhar força na semana passada, com os confrontos entre a extrema direita e ativistas antifascismo em Charlottesville, na Virgínia.   


Os embates terminaram com uma pessoa morta, a ativista Heather Heyer, atropelada por um neonazista, e tiveram como estopim uma proposta para remover um monumento ao general confederado Robert Lee, que se tornou um símbolo dos estados escravocratas que lutaram para se separar dos EUA na Guerra Civil Americana, entre 1861 e 1865.

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