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Para maioria dos italianos, presença de imigrantes aumenta a criminalidade PDF Imprimir E-mail
Para maioria dos italianos, presença de imigrantes aumenta a criminalidadeUma pesquisa divulgada na Itália revelou que seis em cada dez italianos acreditam que a presença dos imigrantes, embora contribua para o crescimento econômico, também aumenta a criminalidade no país, como apontou o premier Silvio Berlusconi.

De acordo com o relatório "Itália 2010", do instituto Eurispes [organização privada e sem fins lucrativos, que faz estudos econômicos, sociais e políticos], 64,7% dos entrevistados creem que os estrangeiros contribuem ao aumento dos crimes no país.


Dado que demonstra que a maioria dos cidadãos concorda com a opinião expressa ontem pelo chefe de Governo do país, ao afirmar que a "redução dos extracomunitários na Itália significa menos forças para engrossar as filas da criminalidade".

Por outro lado, para 60,4%, as pessoas de outras nacionalidades são importantes para o crescimento econômico. A maioria dos entrevistados (86,4%) concorda ainda que os imigrantes atuam em atividades em que os italianos não gostam. Mas cerca de 24,8% dizem acreditar que os imigrantes tiram os trabalhos dos italianos.

Em relação ao aumento da xenofobia no país, 31,7% atribuem a onda de violência às mídias; 24,7% ao comportamento dos imigrantes, e 17,2% às políticas do governo.

Sobre o direito de voto aos imigrantes, quase metade dos entrevistados (49,1%) pensa que as pessoas que estejam regulares, mas não tenham cidadania italiana, não devem se pronunciar.

A discussões sobre a presença de imigrantes na Itália têm causado grandes debates internos nos últimos dias. Hoje, a Conferência Episcopal Italiana (CEI) declarou que o nível da criminalidade entre os imigrantes é semelhante ao dos italianos, em resposta indireta à declaração de Berlusconi.

Ontem, por sua vez, a senadora do Partido Democrata (PD, maior força de oposição), Livia Turco, opinou que a equação feita pelo primeiro-ministro "é vulgar". "Todos os dados demonstram que, sem imigrantes, estariam paralisadas partes importantes de nossa economia", apontou.

O mesmo relatório traz ainda dados sobre o comportamento dos italianos, suas atividades sociais e profissionais, o impacto da crise econômica mundial em suas vidas em 2009 e as perspectivas para 2010.

De acordo com o Eurispes, estima-se para este ano um aumento 10,4% no número de pessoas que vivem sozinhas. Para esta projeção, a consultoria baseou-se em dados de pesquisas de 2007 (6.910.716).

A consulta demonstra ainda que a maioria dos italianos com mais de 18 anos bebe -- um em cada três cidadãos (70,9%) disse consumir bebidas alcoólicas ocasionalmente (55,7%), frequentemente (11%) e diariamente (4,1%).

Em relação aos hábitos de consumo, um de cada dois chega ao fim do mês com dificuldades, e 70% afirmam que deixam de comprar presentes e ir a restaurantes.

Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico [OCDE ou OECD em inglês], os salário e gasto médio dos italianos estão entre os baixos dos países industrializados. Estima-se que o salário anual atinja US$ 21.374 na Itália. Nos EUA, este teto é de US$ 30.796, e no Reino Unido US$ 38.147.

Os italianos ainda acreditam que a formação superior não é mais garantia de emprego e nem de estabilidade econômica. Segundo dados do Eurispes, apenas 16% dos empregados italianos entre 25 e 34 anos possuem curso superior [a média da OCDE é de 32%].

Já a população entre 15 e 24 anos corre o risco de permanecer desempregada, pois as previsões apontam uma queda no número de contratações.

Também as pessoas com idades entre 24 e 30 anos têm dificuldades para encontrar um emprego sem um prazo definido de contrato. Em 2007, dos 381.127 contratados para projetos com prazos determinados, 201.901 eram jovens com idades entre 15 e 34 anos.

O estudo apontou também que os italianos estão ainda mais pessimistas. A crise econômica continua a influenciá-los negativamente. Para 47,1% dos entrevistados a situação do país "piorou". Em 2008, este índice estava em 37,6%.

Por outro lado, há uma maior confiança em relação ao futuro: 18,3% acreditam que o futuro econômico do país será melhor, quase oito pontos percentuais acima dos dados de 2008 (10,9%).

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