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ENCONTRO: Depois de 28 anos, brasileira adotada por casal italiano conhece mãe biológica PDF Imprimir E-mail

Mãe e filha se encontram após 28 anos (Foto: Osvaldo Afonso/Secom-MG)Quase três décadas de separação e tristeza tiveram fim. No auditório da sede administrativa da Polícia Civil, em Belo Horizonte, mãe e filha se emocionaram no encontro proporcionado pela Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida (DRPD).

Há 28 anos a mãe biológica, Edmar Silvestre dos Santos, entregou Michela Brughera para adoção. Aos oito meses de idade a menina foi levada pelos pais adotivos para Milão, na Itália, e desde então, as duas não se viram mais.


Desde os 13 anos de idade a mãe, Edmar,  vivia pelas ruas. Ela conta que conseguiu trabalho como empregada doméstica e, posteriormente, como copeira em um estabelecimento comercial, onde conheceu um militar do Exército, em 1981, engravidou e foi demitida.

Ainda grávida e sem ter onde morar foi acolhida por amigos do bairro. Com oito meses de gestação passou a dormir na porta do Hospital Odete Valadares, quando uma pessoa desconhecida se propôs a ajudá-la e a levou para o Abrigo São Paulo. Com o nascimento da criança, o abrigo não pode mais oferecer proteção às duas. Então, mãe e filha passaram a morar na rua, debaixo de marquises, período em que passaram fome, frio, necessidades básicas de sobrevivência.

Desespero

Em um dia chuvoso e em total desespero, Edmar encontrou um casal de italianos. Entristecidos com a situação de mãe e filha, eles se dispuseram a acolhê-las em sua própria casa. Durante oito meses as duas contaram com a solidariedade do casal. Edmar conseguiu um emprego em uma casa de família. Para trabalhar, deixava a filha com o casal, já que não podia levar a criança.

Com o passar do tempo, o casal de italianos decidiu voltar para a Itália. Com o auxílio do Padre Pierre Luigi Bernareggi, da Paróquia de Todos os Santos, no bairro 1º de Maio, ela entregou a menina legalmente para ser adotada por outro casal italiano, da cidade de Bologna, que fez todo o processo de adoção à distância.

Quando o casal chegou ao Brasil, foi recebido pelo padre e ao verem que era uma criança negra, desistiram. “Fiquei decepcionado, muito triste mesmo, afinal desistir de uma pessoa só por causa da cor de sua pele é um absurdo”, relembrou o padre.

Foi então que o casal Maria Rita Morriale e Emílio Brughera decidiu adotar Michela. Mesmo da Itália, eles mantiveram contato com Edmar até os três anos da criança. Nessa época, a mãe biológica enfrentou sérios problemas, inclusive de saúde, e acabaram perdendo contato.

Michela, que sempre soube ser adotada, veio ao Brasil junto com o noivo Dario Galimbert, de 28 anos, no dia 24 de fevereiro deste ano para um trabalho internacional voluntário. Ela então resolveu conhecer a mãe biológica. Padre Pierre entrou em contato com o delegado Hugo e Silva e, no mesmo dia, a equipe localizou Edmar.

A agente de polícia Paula Barbosa, responsável por promover os encontros de família, também ficou emocionada. “É uma alegria muito grande poder ajudar a levar essa felicidade a elas”, comentou a policial, que participou de todo o processo de busca de Edmar.

Michela fica no Brasil até o mês de junho, quando retorna à Itália. Ela garante, no entanto, que nunca mais perderá o contato com sua família brasileira. “Estou feliz porque agora tenho duas famílias. Eu entendo o que minha mãe fez e não sinto raiva disso”, explica. (Estado de Minas e EFE)

 
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