Farinelli PDF Imprimir E-mail

FarinelliFarinelli (Andria, 24 de janeiro de 1705 — Bolonha, 15 de julho de 1782), como era conhecido Carlo Maria Broschi, foi um lendário cantor castrato do século XVIII, o mais popular e bem pago cantor de ópera da Europa em sua época.

 

Os castrati

Castrato (termo extraído do idioma italiano, cuja tradução lusófona trata-se literalmente de "castrado") é o nome pelo qual eram conhecidos os cantores masculinos que, a fim de terem preservada, ainda na fase adulta, a tessitura vocal da infância (cuja extensão vocal é quase idêntica àquela própria das tessituras vocais femininas, sejam de soprano, de mezzo-soprano ou de contralto), eram submetidos a uma operação cirúrgica de corte dos canais provenientes dos testículos, a partir da qual a chamada "mudança de voz" não ocorria.


A prática de castração de jovens cantores teve início no século XVI (tendo surgido a partir da necessidade de vozes agudas nos grupos corais das igrejas da Europa Ocidental, já que a Igreja Católica Apostólica Romana não aceitava mulheres no coro de suas igrejas), atingindo seu auge nos séculos XVII e XVIII (de tal sorte que, nas ópera|óperas do compositor barroco alemão Georg Friedrich Händel, por exemplo, o papel do heroi era frequentemente escrito para castrato).


Muitos dos rapazes que eram submetidos à castração tratava-se de crianças órfãs ou abandonadas. Algumas famílias pobres, incapazes de criar a sua prole numerosa, entregavam um filho para ser castrado. Em Nápoles, recebiam a sua instrução em conservatórios pertencentes à Igreja, onde lecionavam músicos de renome. Algumas fontes referem que muitas barbearias napolitanas tinham, à entrada, um dístico com a indicação "Qui si castrano ragazzi" ("Aqui castram-se rapazes").


Na segunda metade do século XVIII, com a chegada do verismo na ópera, a popularidade dos castrati entrou em declínio.
Durante alguns anos, é verdade, ainda houve desses cantores na Itália, mas, com o decorrer do tempo, porém, esses papéis foram transferidos aos contratenores e, por vezes, às sopranos.


Foi só em 1870, não obstante, que o castratismo destinado a este fim foi terminantemente proibido na Itália (o último país onde ainda era efetuado). E, em 1902, o papa Leão XIII proibiu definitivamente a utilização de castrati nos coros das igrejas.


O último castrato a abandonar o coro da Capela Sistina foi Alessandro Moreschi (1858-1922), no ano de 1913. Há alguns registros fonográficos da voz do castrato, que, entre 1902 e 1904, gravou exatos dez discos.

Biografia


Carlo Maria Broschi foi castrado ainda na infância, quando ainda se tratava de um menino.


Sua extensão vocal abrangia do Lá2 até Ré6, como escreveu Johann Joachim Quantz: "Farinelli tem uma voz de soprano ligeiro, completa, rica, luminosa e bem trabalhada, com uma extensão que abrange desde o Lá debaixo do Dó central a Ré três oitavas acima do Dó médio. Sua entonação era pura, seus vibratos maravilhosos, seu controle sobre sua respiração era extraordinário e sua garganta muito ágil, porque cantou os intervalos mais amplos rapidamente e com a maior facilidade e firmeza. As passagens das obras e todo tipo de melismas não representaram dificuldades para ele. Na invenção das ornamentações livres nos adágios foi muito fértil."

Carlo Broschi tinha um irmão, Riccardo Broschi, que era compositor.


Farinelli - Il Castrato

Em 1994, foi lançado um filme sobre a vida de Farinelli, intitulado "Farinelli - Il Castrato".


Dirigido por Gerard Corbiau e estrelado, entre outros, por Stephano Dionisi, Enrico Lo Verso, Elsa Zylberstein e Jeroen Krabbé, a produção cinematográfica italiana arrematou o Globo de Ouro, como melhor filme estrageiro, além de ter sido indicada ao Oscar, na categoria de melhor filme estrangeiro.


A produção utiliza-se, como trilha sonora, de temas musicais de compositores barrocos como Riccardo Broschi, Johann Adolf Hasse, Georg Friedrich Händel, Giovanni Battista Pergolesi e Nicola Antonio Porpora.

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