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Itália mira médicos brasileiros para reforçar sistema de saúde

A Itália está de olho no Brasil para enfrentar sua carência de profissionais de saúde e assistência social.

A missão mais recente nesse sentido foi encabeçada pelo presidente da União Regional dos Institutos para Idosos (Uripa) do Vêneto, Roberto Volpe, que visitou o Rio Grande do Sul, um dos principais destinos da imigração italiana nos séculos 19 e 20.

De acordo com o cônsul-geral da Itália em Porto Alegre, Valerio Caruso, o território gaúcho é “um parceiro natural na área da saúde, pois aqui encontramos um sistema de excelência, com universidades e hospitais de ponta, em um estado onde quase metade da população tem origem italiana”.

“Uma base sólida para desenvolver colaborações científicas bilaterais ainda mais profundas”, destaca o diplomata.

“Não se trata apenas de suprir a falta de pessoal, mas de construir uma troca de experiências entre duas realidades que compartilham valores, tradições e, em muitos casos, até a língua”, acrescenta.

Por outro lado, a Itália é considerada um dos mercados de saúde mais dinâmicos da Europa e um destino de interesse para os médicos brasileiros, sobretudo após uma lei recente permitir que profissionais estrangeiros exerçam a profissão no país antes da homologação dos diplomas.

“Trata-se de um decreto-lei destinado a enfrentar a situação de emergência. A norma cria um procedimento acelerado e eficiente, com uma burocracia simplificada, enquanto se aguarda o reconhecimento ordinário pelo Ministério [da Saúde] e, portanto, a inscrição formal na ordem dos médicos”, explica o advogado Jacopo Mauri, do escritório Golden Star, de Milão, que, com sua sócia Flavia Galvão, baseada no Rio de Janeiro, trabalha em um projeto de facilitação em colaboração com a empresa de gestão de recursos humanos Adecco.

As estatísticas revelam a grande carência de médicos na Itália. De acordo com dados publicados recentemente pelo Panorama Sanità, o déficit está em cerca de 16,5 mil profissionais e deve se agravar, com a aposentadoria de aproximadamente 39 mil e uma concentração de saídas (3,2 mil por ano) entre 2029 e 2033.

“A formação no Brasil é caracterizada por um grande rigor acadêmico. Nossas universidades são conhecidas por uma seleção extremamente rigorosa e pela alta qualidade da pesquisa. E, em particular, o acesso ao curso de medicina está entre os mais competitivos da América Latina”, explica Galvão.

Segundo estimativas da Associação de Médicos de Origem Estrangeira (Amsi), em 2025, a presença de profissionais de saúde do exterior na Itália chegou a 47,6 mil. Apenas no Piemonte, mais de 3 mil imigrantes podem ser beneficiados pela nova lei, e estima-se que a situação seja semelhante em outras regiões do norte da Itália.

O centro-sul apresenta um panorama mais diversificado, inclusive porque há governos, como o do Lazio, que ainda não adotaram a medida.

“Aqui eu cuido da gestão dos casos menos graves, uma tarefa que requer não apenas competência clínica, mas também grande capacidade de escuta e prontidão. Essa experiência tem me permitido crescer profissionalmente em um contexto dinâmico e devolver valor ao território por meio de um atendimento atento e pontual aos pacientes”, contou a médica brasileira Aline Almeida Westphol, há vários meses atuante em um pronto-socorro na Sardenha.

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