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Cidade na Itália “proíbe” morrer, nascer e casar por falta de funcionários em cartório

Um cartaz inusitado chamou a atenção de moradores e visitantes em Caino, pequena cidade de cerca de 2 mil habitantes na província de Brescia, no norte da Itália.

Fixado na porta de entrada da prefeitura, o aviso diz: “É proibido nascer, morrer, casar e dirigir-se a este escritório para qualquer fim até uma data a ser determinada”.

A mensagem, evidentemente impossível de ser cumprida, foi colocada pelo próprio prefeito Cesare Sambrici como forma de protesto devido à grave falta de funcionários que o município enfrenta, especialmente no cartório de registro civil, responsável por formalizar esses eventos.

Sambrici afirmou que não teve a intenção de criticar a funcionária que até recentemente desempenhava essa função e que precisou se afastar por motivos pessoais por vários meses.

Segundo ele, a placa foi apenas uma “provocação” e será retirada nos próximos dias.

“A ideia era chamar atenção para as dificuldades enfrentadas pelos pequenos municípios, que lutam constantemente contra a falta de pessoal”, explicou o prefeito, que tem assumido temporariamente diversas tarefas administrativas por causa da escassez de mão de obra.

Para lidar com procedimentos urgentes, como os relacionados a um referendo sobre o judiciário marcado para a próxima semana, ele contou com a ajuda de um ex-funcionário do cartório.

A situação em Caino se agravou nos últimos meses. Até pouco tempo atrás, a prefeitura contava com nove funcionários, mas hoje restam apenas quatro, além do prefeito. Entre os que deixaram seus cargos, alguns buscaram empregos mais próximos de casa, enquanto outros migraram para municípios maiores ou órgãos da província de Brescia.

Diante da dificuldade, a prefeitura pretende lançar, em abril, um edital conjunto com o município vizinho de Nave para contratar um novo funcionário que atuará tanto no cartório quanto na secretaria municipal. A previsão é que o profissional comece a trabalhar em julho.

O caso de Caino reflete um problema mais amplo enfrentado por pequenos municípios italianos. Dados recentes da Associação Nacional dos Municípios Italianos (ANCI) mostram uma redução significativa no número de funcionários públicos em cidades com menos de 5 mil habitantes. Entre 2013 e 2024, houve uma queda de 14% no quadro permanente.

Entre as causas apontadas estão os baixos salários, a menor atratividade dessas posições e dificuldades logísticas. Como consequência, muitas dessas cidades operam com equipes reduzidas, frequentemente insuficientes para atender às demandas administrativas, o que, segundo a ANCI, configura um “estado estrutural de emergência organizacional”. 

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