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Emissora pública “RAI” é criticada por entrevistar filho de mafioso

Fabio Botto
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Pela segunda vez em menos de um ano, a emissora pública italiana "RAI" foi duramente criticada por entrevistar em um de seus programas mais prestigiados, o talk show "Porta a Porta", um parente de mafioso.

O convidado da atração comandada pelo experiente jornalista Bruno Vespa foi Salvo Riina, filho de Salvatore "Totò" Riina, líder da Cosa Nostra, a máfia siciliana, entre 1982 e 1993 e condenado à prisão perpétua – ele cumpre pena na penitenciária de Opera, no norte do país.   

https://www.provincia.biella.it/

"Não me interessa se as mãos de Riina acariciavam os filhos. São mãos sujas de sangue inocente. Não assistirei ao 'Porta a Porta'", escreveu no Twitter o presidente do Senado da Itália, Pietro Grasso, que costuma ficar longe de divididas.   

Já a presidente da Comissão Antimáfia do país, Rosy Bindi, foi ainda mais dura e afirmou que o programa de Vespa serviu de "palco para o negacionismo" do crime organizado. "Pedirei a convocação na Comissão da presidente [Monica Maggioni] e do diretor-geral [Antonio Campo dall'Orto] da RAI", acrescentou.   

Além disso, o deputado Pier Luigi Bersani, do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), cancelou sua participação no programa ao descobrir que Salvo Riina seria entrevistado. O "Porta a Porta" também pode ser alvo de representações no Comitê de Vigilância da "RAI", órgão responsável por fiscalizar as atividades da emissora pública.   

"Eu sou de Palermo [capital da Sicília]. Uma coisa dessas faz mal à minha alma. O diretor-geral e a presidente devem comparecer à Comissão e explicar como é possível que um serviço público se preste a essas operações", declarou Michele Anzaldi, secretário do órgão de vigilância e deputado pelo PD.   

Outro duro ataque ao canal partiu de Maria Falcone, irmã de Giovanni Falcone, juiz assassinado pela Cosa Nostra em 1992. "Há 24 anos eu luto para levar aos jovens de toda a Itália os valores da legalidade e da justiça, pelos quais meu irmão enfrentou o extremo sacrifício. É indigna essa presença em uma emissora que deveria fazer serviço público", declarou.   

Por sua vez, Bruno Vespa rebateu as críticas e ressaltou que para combater a máfia, "ainda poderosa", é preciso "conhecê-la".   

"E para conhecê-la melhor, é preciso fazer entrevistas como essa. Cada telespectador formará livremente sua própria opinião", acrescentou.   

https://www.provincia.biella.it/

No ano passado, o jornalista já havia provocado fúria na Itália ao levar ao "Porta a Porta" a família do mafioso romano Vittorio Casamonica, que ganhou o noticiário ao ser enterrado em um funeral repleto de ostentação.   

Salvo Riina foi convidado por Vespa para falar sobre seu pai e sobre o lançamento de seu novo livro. Durante o programa, ele afirmou que respeita o Estado, mas discorda de alguma "leis e sentenças", como a prisão de Totò Riina. "Mas porque é o meu pai. Tiraram o meu pai de mim", disse.   

O filho do ex-boss da Cosa Nostra ainda ressaltou que tudo o que é hoje ele deve aos seus pais. "Eu amo meu pai e minha família, não diz respeito a mim julgar as ações da minha família. Eu julgo aquilo que me foi transmitido, os valores, o respeito", completou. (Fonte: Ansa)

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