
"O que me mantém com vida, minha verdadeira proteção, é estar atento ao que acontece comigo e ao meu redor. Mas sei muito bem que um dia me farão pagar. Só é preciso saber como e quando", assegurou Saviano em entrevista que a emissora de TV "Euronews" exibiu.
"Não vão agir enquanto eu tiver muita atenção, mas vão tentar de todos os modos me destruir e me deslegitimar", acrescentou.
Segundo o escritor, a crise econômica não atinge a Camorra, que tem liquidez e está entrando nos grandes bancos internacionais que, "não tendo liquidez, aceitam dinheiro sujo".
"Entra tanto dinheiro sujo nos bancos que a Camorra determinará a política destes bancos quando eles se recuperarem. A Camorra está hipotecando o futuro de nosso continente", disse Saviano.
"A Itália não pensa na máfia, pensa em outra coisa, no trabalho precário, nas escutas telefônicas. A Itália acredita que o problema mafioso é um dos problemas, mas não o problema", afirmou.
O escritor confessa que se pudesse não escreveria "Gomorra", que deu origem a filme de mesmo nome, e que já não tem "qualquer simpatia" por este livro.




