Diversos grupos italianos de defesa dos direitos humanos criticaram os promotores por investigarem médicos suspeitos de ajudar imigrantes sem documentos a evitar a permanência em centros de repatriamento.
As autoridades locais realizaram operações de busca e apreensão contra 21 infectologistas e dois psiquiatras vinculados a centros onde pessoas sem direito legal de permanecer na Itália ficam retidas enquanto aguardam a deportação.
Os promotores suspeitam que atestados médicos tenham sido emitidos para declarar estrangeiros sem documentos clinicamente inaptos a permanecer nos espaços de retenção.
“É essencial que seja reconhecido o direito dos médicos de exercerem sua função sem interferências”, afirmou Chiara Montaldo, da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), em comunicado.
A representante descreveu as instalações como locais onde “o direito das pessoas à saúde é sistematicamente comprometido” e os direitos fundamentais são “sistematicamente violados”.
Já uma associação de advogados especializados em imigração manifestou preocupação de que a investigação possa ser usada para reduzir os médicos à condição de “meros burocratas”, encarregados de autorizar detenções sem qualquer verificação independente.
A entidade informou que as residências dos profissionais de saúde foram revistadas e seus telefones acabaram apreendidos durante as ações das forças de segurança.
A Itália conta atualmente com nove centros de retenção prévia à repatriação, e o governo italiano tem adotado medidas rígidas contra a imigração ilegal. O país também defende a criação de mais espaços do tipo fora da União Europeia, iniciativa apoiada por outros Estados-membros do bloco.




