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Italiano Mario Draghi recebe prêmio Carlos Magno e defende Europa mais assertiva diante de EUA

Fabio Botto
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O ex-presidente do Banco Central Europeu e ex-primeiro-ministro da Itália Mario Draghi recebeu o Prêmio Internacional Carlos Magno, concedido anualmente a personalidades que contribuíram para os valores europeus.

Em um discurso marcado por alertas sobre segurança, soberania econômica e defesa comum, Draghi afirmou que a União Europeia precisa agir de forma mais firme diante dos Estados Unidos e avançar para um modelo de “federalismo pragmático”.

https://www.provincia.biella.it/

Durante a cerimônia em Aachen, na Alemanha, Draghi afirmou que “o parceiro de quem ainda dependemos tornou-se mais confrontador e imprevisível”, em referência ao governo de Donald Trump.

Segundo ele, a estratégia europeia baseada em negociação e compromisso “na maior parte dos casos, não funcionou”.

“Uma postura concebida para reduzir a tensão está, na verdade, convidando a uma escalada ainda maior. A Europa precisa da capacidade de responder com mais assertividade para restaurar a parceria a um patamar mais equitativo”, enfatizou.

O ex-premiê italiano afirmou que a mudança de postura dos Estados Unidos em relação à segurança europeia deve ser vista não apenas como um risco, mas também como “um despertar necessário”.

De acordo com Draghi, pela primeira vez desde 1949 existe a possibilidade de que Washington não consiga mais garantir a segurança europeia nos termos anteriormente considerados garantidos.

“Pela primeira vez na história recente, estamos verdadeiramente sozinhos juntos”, afirmou. “A Europa está reagindo a essa nova realidade, mas está fazendo isso dentro de um sistema que nunca foi projetado para lidar com desafios dessa magnitude.”

Draghi também destacou que a China não representa uma alternativa estratégica confiável para o continente e criticou a lentidão das decisões tomadas pelos 27 países da União Europeia.

https://www.provincia.biella.it/

Para ele, muitas vezes a resposta coletiva europeia “não consegue entregar o que o momento exige”.

“O resultado é uma ação que pode ser tão inadequada à escala do desafio que se torna pior do que a inação”, disse. “Devemos quebrar esse ciclo.” Como solução, o economista defendeu o que chamou de “federalismo pragmático”, permitindo que grupos menores de países avancem em áreas estratégicas, como defesa, indústria e tecnologia, mesmo sem unanimidade entre todos os membros da UE.

“Os países que sentem o peso deste momento com mais intensidade e entendem que a janela de oportunidade para agir não permanecerá aberta indefinidamente devem ter liberdade para avançar”, afirmou.

No campo militar, Draghi defendeu uma Europa mais autônoma, mas ressaltou que isso não significaria enfraquecer a relação transatlântica nem a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Para ele, uma Europa capaz de se defender seria “uma aliada ainda mais valiosa”.

O ex-presidente do BCE também criticou a fragmentação industrial e energética do bloco europeu e alertou para a dependência tecnológica e militar em relação aos EUA. De acordo com ele, governos europeus gastam entre 40 bilhões e 70 bilhões de euros por ano em armamentos americanos, enquanto a falta de integração do mercado europeu gera perdas de até 60 bilhões de euros anuais em economias de escala.

Draghi afirmou ainda que a União Europeia precisa combinar fortalecimento do mercado único com uma política industrial robusta. Ele citou setores como semicondutores, tecnologias limpas e defesa como áreas prioritárias para investimentos sob o selo “Made in Europe”.

“Sem demanda própria, a Europa não consegue manter uma posição de credibilidade no exterior”, declarou.

Em outro trecho do discurso, Draghi comparou o atual momento europeu ao processo de criação do euro, argumentando que avanços decisivos ocorreram porque alguns países decidiram agir em conjunto antes dos demais.

“O euro demonstra como isso pode acontecer. Aqueles que estavam dispostos avançaram. Construíram instituições comuns com autoridade real”, afirmou.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, também participou da cerimônia e elogiou o relatório recente elaborado por Draghi sobre o futuro econômico europeu, classificando-o como “uma análise implacável” da situação do continente.

“Apelamos à União Europeia para que implemente agora o relatório Draghi”, afirmou Merz durante seu discurso.

O comitê responsável pelo Prêmio Internacional Carlos Magno afirmou que a homenagem reconhece não apenas a trajetória de Draghi, mas também a importância de suas propostas para o futuro da Europa. Em nota, o júri pediu que a Comissão Europeia e os chefes de governo da UE implementem as recomendações do chamado “Relatório Draghi” com urgência.

Segundo o texto, “a Europa precisa renovar sua força econômica para poder moldar seu próprio futuro de forma independente”.

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