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POLÍTICA ITALIANA: Maior partido da Itália vive ameaça de divisão

Fabio Botto
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Há pouco mais de um mês no poder, o primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, pode enfrentar uma crise política que ameaça até paralisar seu governo. Um confronto protagonizado não por ele, mas por dois de seus antecessores.   

De um lado, está o ex-premier Matteo Renzi (2014-2016), secretário e líder da ala majoritária do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), legenda de Gentiloni. Do outro, o grupo minoritário do PD, encabeçado pelo também ex-primeiro-ministro Massimo D'Alema (1998-2000).   

https://www.provincia.biella.it/

No coração das desavenças está o desejo de Renzi de ir às urnas o mais rápido possível e a vontade de D'Alema e seus aliados de antecipar não as eleições, mas sim o congresso que definirá o próximo líder do Partido Democrático, previsto para o fim de 2017.   

Frente à recusa do ex-premier de abdicar do comando do PD, a ala minoritária subiu o tom contra ele e ameaçou até dividir a legenda. "Sem um congresso, Renzi fará uma divisão, irá impor uma fratura, é normal. Queremos um congresso porque o PD é um grande partido que vem de repetidas derrotas políticas", declarou D'Alema.   

A minoria defende a realização da votação para renovar a liderança da legenda antes de se iniciar as discussões para uma eventual eleição parlamentar. Renzi, que chegou ao comando do PD em dezembro de 2013, justamente após bater a ala que hoje o questiona, vem sendo contestado desde sua derrota no referendo constitucional do fim de 2016.   

Na ocasião, ele renunciou ao cargo de primeiro-ministro, mas manteve a secretaria do Partido Democrático. Seus adversários internos criticam sua decisão de continuar à frente da sigla e pedem um novo líder. Mas a hipótese de antecipar o congresso é rechaçada pelo primeiro-ministro, que tenta pavimentar o caminho para a realização de eleições parlamentares ainda no primeiro semestre deste ano, quando ele, no papel de secretário do PD, tentaria voltar ao Palácio Chigi.   

Para isso, o Parlamento precisa resolver o nó da lei eleitoral: atualmente, os modelos de eleição para a Câmara e o Senado são diferentes e proporcionariam composições conflitantes nas duas casas do Congresso. O próprio presidente da República, Sergio Mattarella, já disse que só convocará eleições antecipadas quando os sistemas forem homogêneos.   

No entanto, uma nova lei eleitoral só conseguirá ser aprovada com um PD – maior partido do Parlamento – unido, algo que parece longe de acontecer no momento. No meio desse embate, fica Gentiloni, que é aliado de Renzi, porém não pode se envolver nas disputas internas do partido se quiser manter a estabilidade.   

"Essa classe dirigente do PD está com o prazo de validade vencido, mas vejo muitos colegas de partido que querem permanecer presos a suas poltronas. Se Renzi, secretário eleito em 2013, não der respostas claras sobre o congresso, que deveria acontecer antes das eleições políticas, reuniremos assinaturas para um referendo entre os filiados do PD", disse o deputado Francesco Boccia.   

https://www.provincia.biella.it/

Ainda assim, Renzi permanece irredutível. "Foi pedido a mim para não fazer um congresso extraordinário e respeitar os prazos e as regras. Se uma pessoa faz parte de uma comunidade, deve respeitar as regras, não?", escreveu o ex-premier em uma newsletter.   

Durante todo o seu mandato como primeiro-ministro, Renzi viveu às turras com a ala minoritária do PD, que o acusava de ignorá-la nas discussões de reformas importantes, como a trabalhista, a eleitoral e a constitucional. Contudo, o ex-premier sempre levou a melhor, até o referendo de 4 de dezembro.   

Desde então, Renzi tenta conduzir o PD a um caminho que leve o país às urnas o mais rápido possível e assim aproveitar o capital eleitoral reunido em torno dele nos últimos anos.

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