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Presidente da Itália repudia guerra e alerta para “inércia sombria”

Fabio Botto
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O presidente da Itália, Sergio Mattarella, reafirmou o compromisso do país com a paz e com uma ordem internacional baseada no direito e alertou contra a “inércia sombria” da comunidade internacional, ao enviar uma mensagem ao papa Leão XIV por ocasião do “Dia Mundial da Paz”.

“A Itália — que, por sua própria ordem constitucional, repudia a guerra — permanece firmemente comprometida em oferecer sua contribuição para a resolução dos conflitos em curso e para preservar uma ordem internacional baseada no direito”, escreveu.

Segundo ele, a lei da razão e da justiça, e não a do mais forte, “deveria voltar a ser regra das relações internacionais”.

Na mensagem, Mattarella alertou para o risco de a comunidade internacional sucumbir a uma “inércia sombria” capaz de conduzir “aos abismos da história já tragicamente experimentados pela humanidade”.

De acordo com o chefe de Estado italiano, há um dever coletivo de resistir a essa deriva, agindo com sabedoria, rapidez e responsabilidade.

Ao comentar o tema do 59º Dia Mundial da Paz — “A paz esteja convosco: rumo a uma paz desarmada e desarmante” — Mattarella destacou que a fase histórica atual é marcada por inquietação crescente e, justamente por isso, exige esperança renovada.

Ele ainda recordou que, como o Papa tem reiterado desde o início de seu pontificado, a paz requer amor, justiça e solidariedade, e começa no coração de cada pessoa, independentemente da fé.

“Ela segue um caminho incessante que exige humildade, perseverança e a busca pela justiça.

É, portanto, uma jornada exigente — como sempre foi ao longo da história da humanidade —, mas é a única que vale a pena empreender”, acrescentou.

O presidente também evocou as palavras de São Paulo VI na Assembleia Geral da ONU, há 60 anos: “Nunca mais a guerra”.

Para Mattarella, o apelo permanece atual em um cenário em que os conflitos se multiplicam, envolvem novos atores e afetam a vida de milhões de pessoas por meios cada vez mais complexos e sofisticados.

“Naquela época, a comunidade internacional enfrentava a dinâmica perigosa de um sistema dominado por dois blocos políticos e ideológicos opostos, sob a ameaça iminente de um apocalipse nuclear. Hoje, a dimensão do conflito abre-se a uma pluralidade de novos atores”, enfatizou.

Ele lamentou que os esforços para alcançar um horizonte de paz global continuem insuficientes, enquanto tendências ameaçadoras parecem ganhar força.

Na mensagem, Mattarella apelou para governantes “ouvirem o clamor dos povos que pedem paz”, comparando o ato de governar à condução de um navio: seguir ventos desfavoráveis e ceder aos medos torna o naufrágio inevitável, enquanto a salvação depende do esforço conjunto de toda a tripulação.

O mandatário italiano falou também da “estrutura que surgiu após as tragédias do século passado”, que era “uma esperança concreta de superar de uma vez por todas uma condição sem regras na condução das relações internacionais” e que “hoje está sendo severamente testada pelo desprezo pelas normas mais básicas da convivência”.

Por fim, o presidente defendeu o diálogo como instrumento essencial para enfrentar desigualdades sociais e econômicas, as mudanças climáticas e o impacto das tecnologias emergentes, que devem ser colocadas a serviço do bem comum. Além disso, rejeitou a comunicação agressiva e provocativa e apelou por uma linguagem desarmada, centrada na escuta e na educação para a paz, sobretudo entre os jovens.

“Todos os homens e mulheres de boa vontade são chamados a fazer a sua parte para garantir que a paz se torne justa e duradoura, porque no seu centro está o valor supremo da vida humana”, concluiu Mattarella, ao agradecer ao Papa pela orientação espiritual e desejar a continuidade fecunda de seu magistério.

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