
O Tribunal de Medidas Coercitivas de Sion ordenou, a libertação de Jacques Moretti, proprietário do bar Le Constellation, em Crans-Montana, na Suíça, palco de um incêndio que matou 40 pessoas e deixou 116 feridas no dia 1º de janeiro, após uma “nova avaliação do risco de fuga”.
A decisão foi tomada depois que o tribunal analisou a origem dos recursos e a natureza da relação entre o réu e a pessoa que pagou a fiança de 200 mil euros para sua libertação.
a Justiça, o valor foi pago por um “amigo próximo” de Moretti, que pediu para permanecer anônimo.
O tribunal considerou suficientes as garantias apresentadas e rejeitou o pedido da Procuradoria-Geral do cantão do Valais para a aplicação de uma tornozeleira eletrônica.
No entanto, foram impostas as chamadas “medidas clássicas”: proibição de deixar o território suíço, obrigação de entregar todos os documentos de identidade e de residência à Procuradoria, comparecimento diário a uma delegacia de polícia e o pagamento da fiança.
Moretti e sua esposa, Jessica, são investigados por homicídio, lesões corporais e incêndio criminoso. Eles são suspeitos de negligenciar normas de segurança contra incêndio, tanto na escolha do material da espuma antirruído que revestia o teto — por onde as chamas se alastraram rapidamente após fagulhas lançadas por velas pirotécnicas — quanto na ausência de saídas de emergência adequadas.
Reação
O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, manifestou indignação com a decisão do Tribunal de Medidas Coercitivas de Sion, na Suíça, que ordenou a libertação de Jacques Moretti, proprietário do bar Le Constellation.
“Não tenho palavras para comentar a libertação de Jacques Moretti da prisão na Suíça. É um ato que representa um verdadeiro ultraje à sensibilidade das famílias que perderam seus filhos em Crans-Montana, e não leva em consideração o luto e a profunda dor que essas famílias compartilham com o povo italiano”, escreveu Tajani em comunicado.
O ministro acrescentou que o governo italiano continuará oferecendo “apoio e solidariedade” aos familiares das vítimas da tragédia e disse que manterá a colaboração com as autoridades suíças para que a verdade e as responsabilidades pelo ocorrido sejam plenamente apuradas. “Se fosse eu, não teria concedido fiança. Uma decisão que deixa muito a desejar”, concluiu Tajani.



