A inflação anual na Itália subiu para 4,2% em setembro, ante 3,3% em agosto, e chegou ao maior valor em três anos, cenário que tem provocado dor de cabeça para o governo da premiê Giorgia Meloni.
O resultado foi divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat) e confirma os dados preliminares publicados há 15 dias. Na comparação com agosto, segundo o Istat, o índice avançou 0,7%.
Os bens energéticos foram o principal motor da inflação em setembro, com uma disparada de 22,6% em relação ao mesmo período de 2025 — em agosto, essa alta havia sido de 17,1%.
O crescimento se deu tanto no componente regulamentado, como tarifas de luz e gás (de 18,6% em agosto para 25,8% em setembro), quanto naquele não regulamentado, como os combustíveis (de 17,0% para 22,5%). Os preços dos alimentos não manufaturados também avançaram em setembro, com expansão de 5,5% na comparação ano a ano, contra 3,8% do mês anterior.
A disparada da inflação é atribuída pelo governo Meloni às perturbações no comércio global de petróleo e gás em função da guerra no Irã, com o prolongado bloqueio do Estreito de Ormuz. A alta do índice tem provocado impacto direto nas despesas correntes do Executivo, e a premiê já enviou uma carta à União Europeia pedindo mais flexibilidade nas regras fiscais do bloco para permitir um déficit acima de 3% do PIB.
Enquanto isso, caminhoneiros têm realizado manifestações e bloqueios de estradas, sobretudo no sul do país, para protestar contra a escassez e o encarecimento dos combustíveis.




