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Nova proposta para retorno das aulas gera polêmica na Itália

Fabio Botto
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A ministra da Educação da Itália, Lucia Azzolina, apresentou informações sobre o novo plano do governo italiano para retomar as atividades escolares em setembro, suspensas devido à pandemia do novo coronavírus, e provocou uma polêmica no país.

Durante entrevista ao programa SkyTg24, a ministra reiterou a possibilidade de uma “educação mista”, em que as aulas sejam parcialmente presencial e parcialmente online à distância, para dividir as salas e não ter excesso de estudantes no mesmo ambiente.

https://www.provincia.biella.it/

“Está claro que, em comparação com a situação histórica que estamos enfrentando, temos que imaginar muitas opções. Uma antes de voltar ao normal como todos gostaríamos, e a outra é uma opção com relação ao fato de que o coronavírus ainda acompanha nossas vidas até encontrarem uma vacina. Com isso, é claro que não podemos retornar nossos alunos para turmas de 28 ou 30 pessoas”, explicou.

Azzolina ainda contou que a ideia é que metade dos alunos frequentem as escolas durante meia semana, enquanto a outra metade estuda online à distância. Depois as turmas trocariam o método na segunda parte da semana. No entanto, ambos grupos seriam mantidos “conectados, para que a sociabilidade permanecesse”.

A ministra também relatou que “nem todo mundo estava pronto e nem todo mundo tinha os recursos” para a mudança no ensino provocada pela pandemia, mas seu compromisso e de todo o ministério “foi intervir imediatamente para impedir que os alunos ficassem em casa sozinhos sem fazer nada”.

“Criamos a página imediatamente, investimos dinheiro no site do ministério e obtivemos ajuda do terceiro setor e associações para distribuir dispositivos para todos. Pedimos aos professores que não deixassem nossos alunos em paz”, contou.

De acordo com a política italiana, “a escola não estava absolutamente pronta para fazer o que fazia, a educação a distância que eu reivindico como um importante passo adiante, embora com muitas dificuldades, foi um grande sucesso”.

A importância de retornar às aulas é um conceito também expressado no último discurso do presidente da República, Sergio Mattarella, mas a posição da ministra gerou polêmica por preocupar sindicatos, além de pedagogos e professores, que, após dois meses de aulas em casa, temem um “aumento de disparidades” entre as crianças, principalmente pela falta de acesso à internet.

“A recuperação segura das atividades escolares é uma questão importante e delicada que afeta milhões de famílias e estudantes. Uma discussão séria deve ser aberta no Palazzo Chigi, [sede do governo]”, afirmou Annamaria Furlan, secretária geral da Confederação Italiana dos Sindicatos de Trabalhadores (CISL), ressaltando que “as mudanças e ensino à distância são impensáveis devido ao nível de pobreza de muitas famílias e à fraca expansão da banda larga”.

https://www.provincia.biella.it/

Após a polêmica, o representante da força-tarefa do Ministério da Educação, Patrizio Bianchi, disse que o projeto de Azzolina é apenas para “um cenário inicial”, com “variantes que precisam ser pesadas”.

“O importante é que todos possam fazer o melhor uso possível das condições que podemos oferecer”, afirmou à agência Ansa.

A partir desta segunda-feira (4), o governo italiano dará início a chamada “Fase 2” na luta contra o novo coronavírus e começará a fazer a reabertura do país. Com isso, milhares de pessoas retornarão ao trabalho, o que poderá ser um problema para os pais que não têm com quem deixar seus filhos.

“Se voltarmos ao trabalho a partir de 4 de maio, devemos responder imediatamente às famílias. Por esse motivo, juntamente com outros ministros do governo, estamos trabalhando em um protocolo que em breve enviaremos ao Comitê Técnico Científico para permitir que pequenos grupos de crianças, com 4 ou 5 anos ou mais, retornem às escolas”, ressaltou Azzolina.

Por fim, a ministra da Educação defendeu a volta das aulas porque as crianças da escola primária estão em “um segmento muito delicado da vida escolar, no qual se aprende a ler, escrever e contar”.

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