
"A escolha de uma homenagem musical é uma oferta de serenidade neste tempo nada fácil, e também áspero, que todos vivemos", explicou o chefe de Estado italiano, que expressou ainda a "afetuosa proximidade de todo o povo italiano" a Joseph Ratzinger.
Eleito em 19 de abril de 2005, o cardeal alemão tem recebido nos últimos meses demonstrações de apoio dos italianos, em meio a críticas e questionamentos da imprensa mundial, que tem acompanhado os casos de pedofilia envolvendo religiosos da Igreja Católica.
Por sua vez, o Papa fez um agradecimento, ressaltando o "tratamento de excelente cortesia" por parte do chefe de Estado italiano.
O concerto foi oferecido na sala Paulo VI, no Vaticano. Apresentou-se ao Pontífice um grupo da Orquestra Juvenil Italiana, comandado pelo maestro Nicola Paszkowski. Entre as composições estavam músicas de Mozart e Beethoven.
"O estudo da música incorpora um alto valor no processo educativo da pessoa, produzindo efeitos positivos no desenvolvimento do indivíduo, lhe permitindo um harmônico crescimento humano e espiritual", afirmou o Pontífice, que é um apreciador de Mozart e ama tocar piano.
Bento XVI enfatizou ainda o reconhecimento "do valor formativo da música nas implicações de natureza expressiva, criativa, relacional, social e cultural".
"A música é capaz de abrir as mentes e os corações às dimensões do espírito e conduzir as pessoas a elevar o olhar, a abrir-se ao bem e ao belo absolutos, que tem suas origens em Deus", complementou Ratzinger.
"Neste ato cortês vejo também um ulterior sinal do afeto que o povo italiano nutre em relação ao Papa", concluiu.
Antes da apresentação, Napolitano e Bento XVI mantiveram um diálogo de cerca de 20 minutos. Em nota, a presidência italiana informou que no encontro, que foi "bastante cordial", foram abordados os principais temas da agenda internacional, em particular a situação do Oriente Médio.
Napolitano cumprimentou o líder católico pelas ações da Santa Sé e falou sobre os "propósitos comuns" de Itália e Vaticano pela resolução dos conflitos na região.
Bento XVI, por sua vez, falou sobre a Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, que acontecerá no mês de outubro. O evento terá como objetivo analisar a crise na região e defender a criação de dois Estados.




