
O Ministro do Interior da Itália, Matteo Piantedosi, rebateu as críticas sobre a viagem em um helicóptero do Corpo de Bombeiros que levou o letrista Giulio Rapetti, conhecido como Mogol, de Sanremo a Roma para participar de uma festa institucional da brigada.
“Estamos muito felizes em ter Mogol aqui e o agradecemos. Ele é um grande artista, um monumento nacional, que compôs uma música para o Corpo de Bombeiros. O resto é a habitual polêmica instrumental”, declarou Piantedosi à margem do evento nacional do Corpo de Bombeiros na capital italiana, destacando o valor artístico do letrista de 89 anos, que foi homenageado na última noite no Festival de Sanremo, o principal concurso musical da Itália.
O senador e líder do Movimento 5 Estrelas, Luca Pirondini, condenou os comentários de Piantedosi, dizendo que o ministro tentou “desviar a atenção sobre o assunto” ao definir o letrista como “monumento nacional”.
“Ninguém aqui está discutindo o valor de Mogol. Esse não é o ponto”, falou o senador, levantando algumas questões: “Quais necessidades operacionais tornaram isso necessário? Havia urgência suficiente para justificar o uso de um helicóptero de resgate? E quais foram os custos para os cidadãos?”.
A Coordenação das Associações em Defesa do Ambiente e dos Direitos dos Consumidores (Codacons) frisou que o voo de Mogol em um helicóptero público tem consequências para a “coletividade”.
“Os veículos dos bombeiros representam recursos públicos e seu uso acarreta custos em termos de pessoal, combustível e logística, que são pagos pelos cidadãos”, explicou o órgão, reforçando que “a decisão de transportar o letrista para Roma” também “privou a comunidade de um veículo de resgate crucial”.
Após ser homenageado em Sanremo, na Ligúria, Mogol utilizou um helicóptero pertencente aos socorristas públicos para se deslocar até Roma, onde foi nomeado “bombeiro honorário” na festa nacional da categoria. Durante a cerimônia, também foi executado o hino do Corpo de Bombeiros escrito por ele.
“A viagem foi ótima e os bombeiros são pessoas esplêndidas e maravilhosas”, respondeu o letrista a quem lhe perguntava como foi seu deslocamento de Sanremo a Roma.



