
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã colocou a Itália diante de um dilema estratégico: o país abriga algumas das principais bases militares americanas na Europa e teme ser arrastado para o conflito caso essas instalações sejam usadas em operações militares. Atualmente, a Itália abriga cerca de seis grandes bases militares utilizadas pelos Estados Unidos, além de várias instalações menores de apoio.
As principais ficam em Aviano (norte), Vicenza, Nápoles, Sigonella na Sicília, Camp Darby entre Pisa e Livorno e Lago Patria, na Campânia. Essas bases permitem operações no Mediterrâneo, Oriente Médio e Norte da África. A principal é a Aviano Air Base, considerada o principal centro da força aérea americana na Europa e base de caças F-16.
Nos últimos dias, o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni tentou reduzir a tensão. Em declarações à rádio RTL e reproduzidas pela imprensa italiana, Meloni afirmou que não houve até agora nenhum pedido dos Estados Unidos para usar bases localizadas na Itália em ataques contra o Irã. “Não estamos em guerra e não queremos entrar em guerra”, reforçou a premiê.
A chefe de governo também afirmou que, caso surja um pedido desse tipo, a decisão terá de ser tomada em conjunto com o Parlamento, seguindo os acordos bilaterais que regulam a presença militar americana no país.
A preocupação, porém, não é apenas política. Especialistas e parte da imprensa italiana apontam que a Itália abriga instalações estratégicas utilizadas pelas forças dos EUA e da OTAN no Mediterrâneo, incluindo bases aéreas e centros logísticos usados para operações na Europa, na África e no Oriente Médio.
Por isso, se essas estruturas forem utilizadas em operações contra Teerã, elas poderiam se tornar alvos potenciais de retaliação indireta, como já ocorreu com bases ocidentais em outras regiões do Mediterrâneo e do Oriente Médio durante crises militares recentes.
Dentro do governo italiano, o tom também revela cautela. O ministro da Defesa, Guido Crosetto, criticou a forma como os ataques contra o Irã foram conduzidos e afirmou ao Parlamento que aliados europeus não foram informados previamente da operação, sendo agora obrigados a lidar com as consequências estratégicas da escalada militar.
Enquanto isso, o Parlamento italiano aprovou medidas para reforçar a defesa e apoiar países do Golfo com sistemas antimísseis e vigilância, numa tentativa de conter a expansão do conflito sem envolver diretamente tropas italianas.
O governo do presidente americano Donald Trump tem pressionado aliados europeus a apoiar a ofensiva contra o Irã, inclusive com acesso a instalações militares. A reação negativa de alguns países, como a Espanha, provocou críticas duras da Casa Branca.



