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Com renúncia de Berlusconi, Mario Monti deve ser o novo premiê

Fabio Botto
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O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, formalizou na noite deste último sábado sua renúncia ao cargo, após a aprovação pelo Parlamento de um pacote de reformas econômicas. Berlusconi, que havia sobrevivido a uma série de escândalos pessoais e de corrupção e a mais de 50 votos de confiança no Parlamento, sucumbiu diante do agravamento da crise da dívida italiana nos últimos dias.

Na última semana, os juros dos títulos da dívida pública da Itália negociados no mercado secundário atingiram nível recorde, numa indicação de que os mercados financeiros confiam cada vez menos que o país consiga honrar com seus compromissos.

A renúncia de Berlusconi abre caminho para a formação de um novo governo com perfil tecnocrático para combater a crise, provavelmente encabeçado pelo ex-comissário da União Europeia Mario Monti. A chamada Lei de Austeridade foi proposta pelo governo de Berlusconi, sob pressão para agir para conter a crise. Após ter perdido a maioria no Parlamento, nesta semana, o premiê prometeu renunciar assim que as medidas fossem aprovadas.

A lei aprovada neste sábado contém medidas duras para economizar 59,8 bilhões de euros e equilibrar o orçamento do país até 2014. Entre estas estão o aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), de 20% para 21%; o congelamento dos salários de servidores até 2014; a alta da idade mínima de aposentadoria para as trabalhadoras do setor privado, de 60 anos em 2014 para 65 em 2026; aperto nas medidas contra a evasão fiscal; e um imposto especial para o setor de energia.

Pacote de austeridade

Neste último sábado, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, elogiou a aprovação da lei pelo Parlamento e disse que a indicação de um novo primeiro-ministro para a Itália é "um sinal de clareza e credibilidade da situação política" no país.

Na última sexta-feira, as perspectivas para a tramitação da lei no Parlamento levou os principais índices do mercado financeiro na Europa e nos Estados Unidos a encerrar em alta. O correspondente da BBC em Roma, Alan Johnston, disse que Mario Monti, um respeitado economista, é o tipo de pessoa que os mercados financeiros gostariam de ver no poder em um momento de crise.

No entanto, analistas afirmam que, mesmo com a aprovação do pacote de reformas e a posse de um primeiro-ministro tecnocrata, a Itália ainda terá dificuldade para equilibrar sua economia. A dívida pública italiana já atinge 120% do PIB (Produto Interno Bruto).

Na quinta-feira, o governo italiano conseguiu levantar 5 bilhões de euros em novos títulos da dívida, a juros de 6,087% para títulos de um ano.

Na quarta-feira, os juros para títulos da dívida de dez anos chegaram a 7%, mesmo patamar registrado por Grécia, Irlanda e Portugal quando foram obrigados a buscar ajuda financeira do FMI e da UE. Uma equipe de especialistas da UE já está trabalhando em Roma, monitorando os planos do governo para reduzir sua dívida. Nos últimos 15 anos, a economia italiana cresceu a uma taxa média anual de 0,75%.

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