
O clima de forte comoção e apelos por justiça marcaram os funerais de vítimas italianas do incêndio que matou 40 pessoas e deixou 116 feridos em um bar de Crans-Montana, na Suíça, na noite de Réveillon.
Familiares, amigos, autoridades e pessoas comovidas com a tragédia deram seu último adeus a Achille Barosi, Chiara Costanzo, Giovanni Tamburi, Riccardo Minghetti e Sofia Prosperi em cerimônias em Milão, Bolonha e Roma, na Itália, e Lugano, na Suíça.
Com exceção de Sofia, 15, todos eram adolescentes de 16 anos de idade. Jovens com um futuro inteiro pela frente e que tiveram suas vidas ceifadas em um incêndio que remete ao da Boate Kiss, que fez 242 vítimas em janeiro de 2013, no Brasil.
“Nós nos sentimos abraçados por toda a Itália e temos sede de verdade e que essas coisas não aconteçam mais”, declarou Andrea Costanzo, pai de Chiara, durante o funeral da adolescente em Milão. “Chiara tinha sede de viver e foi forçada a desistir dos seus sonhos cedo demais. Mas nenhum jovem deveria ter de fazer isso”, acrescentou.
Segundo ele, a Itália demonstrou “humanidade e sensibilidade notáveis”, mas agora é hora de “profissionalismo e eficiência para revelar” tudo que está por trás da tragédia.
A cerimônia na Basílica de Santa Maria das Graças, repleta de flores e bexigas brancas, teve a presença de autoridades e políticos italianos, incluindo o ministro da Educação, Giuseppe Valditara, que cobrou que a Suíça esclareça o caso “o mais brevevemente possível”.
A dois quilômetros dali, a Basílica de Santo Ambrósio recebeu o funeral de Achille Barosi, enquanto Milão celebrava um dia de luto municipal, com bandeiras a meio mastro, para homenagear seus mortos no incêndio de Crans-Montana.
“Você escolheu o lugar do seu coração, meu anjo, suas montanhas, o local terreno mais próximo de Deus”, disse a mãe do adolescente, Erica Barosi, durante a cerimônia fúnebre. “Para além do horror que vi e senti, vi a sua enorme pureza. Você tem apenas 16 anos e meio, mas demonstrava muita maturidade e compreendia tudo. Você tinha o orgulho de um verdadeiro italiano”, salientou.
Já Giovanni Tamburi e Riccardo Minghetti tiveram funerais em Bolonha e Roma, respectivamente. “No dia 1º de janeiro, você perdeu a sua vida, e eu perdi a minha com você. Ao contrário de você, eu viverei com um vazio insubstituível, mas você não”, disse Giuseppe Tamburi, pai do adolescente, em uma mensagem comovente na Catedral Metropolitana de São Pedro.
À margem da cerimônia, o governador da Emilia-Romagna, Michele de Pascale, cobrou que a Justiça “faça sua parte no tempo mais breve possível, com a expectativa de dar atenção à segurança”.
“Os jovens têm todo o direito de se divertir. Alguns tentaram culpá-los, mas somos nós, adultos, que devemos zelar pela segurança deles e daqueles que controlam o acesso às casas noturnas”, disse, em referência às críticas pelo fato alguns presentes no bar Le Constellation terem preferido filmar o início das chamas em vez de fugir do local.
A única vítima italiana que não foi repatriada é Sofia Prosperi, que vivia em Lugano, na Suíça, e foi sepultada na cidade, onde a Catedral de San Lorenzo foi tomada por jovens segurando rosas brancas nas mãos.
“Nossos pensamentos estão com todos os outros jovens que compartilhavam a celebração de Ano Novo com ela e com todos os jovens atingidos diariamente pelas bombas da guerra, por doenças incuráveis, pelo desespero do suicídio, nas ruas, no trabalho, consumidos pela fome e pela indiferença geral”, disse o bispo de Lugano, Alain de Raemy, em sua homilia.
Além dos seis mortos, a Itália teve 14 cidadãos feridos no incêndio, muitos dos quais seguem internados em estado grave devido à extensão das queimaduras sofridas.



