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ELEIÇÕES GERAIS 2013: Centro-esquerda é favorita para vencer na Itália, sob a ameaça de Berlusconi

Fabio Botto
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Eleições Gerais na Itália
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Eleições Gerais na ItáliaApós o curto período de governo tecnocrata, os italianos irão votar em eleições em que a centro-esquerda de Pier Luigi Bersani é favorita, embora a volta da centro-direita de Silvio Berlusconi possa inclusive levar à ingovernabilidade do país. Nesse duelo histórico entre a centro-esquerda e a centro-direita, com mais ou menos os mesmo protagonistas que nas eleições dos últimos 20 anos, se intrometeu Mario Monti, o ex-comissário europeu eleito pelo chefe de Estado, Giorgio Napolitano, para guiar o país após a renúncia de Berlusconi em novembro de 2011, e que decidiu passar à política para continuar sua ação reformadora.

https://www.provincia.biella.it/

Os 51 milhões de italianos com direito a voto enfrentarão nas urnas várias situações incomuns que fazem destas eleições um verdadeiro quebra-cabeças. Berlusconi se apresenta como líder de uma coalizão formada por seu partido, Povo da Liberdade (PDL), a Liga Norte e outras formações de direita, mas não é o candidato a presidente do Governo.

Por sua vez, Monti, que representa a coalizão de partidos e associações centristas, não aparece nas listas eleitorais, por já ser senador vitalício e não poder concorrer a uma cadeira.

Segundo as últimas pesquisas publicadas há 15 dias, a coalizão de Monti alcançará apenas 16%, mas poderá se tornar o verdadeiro protagonista dessas eleições, pois seus votos podem ser decisivos para conseguir a maioria, sobretudo no Senado, o campo onde as eleições serão verdadeiramente disputadas.

Segundo as últimas pesquisas publicadas 15 dias antes das eleições, a coalizão de Bersani pode obter entre 34% e 38% dos votos, enquanto Berlusconi alcançaria entre 28% e 30%.

Com esses dados, na Câmara dos Deputados, Bersani obterá maioria absoluta, e a verdadeira incógnita nestas eleições é se passará no Senado, onde o complicado sistema eleitoral prevê prêmios segundo os resultados regionais.

Assim, serão decisivas as regiões da Lombardia, norte da Itália, onde das 49 cadeiras, 27 irão para a coalizão vencedora e o resto para os demais partidos e na Sicília, onde são distribuídas 14 ao ganhador e 11 aos restantes.

Tudo indica que Bersani precisará buscar alianças se almejar maioria absoluta no Senado e evitar assim o problema da ingovernabilidade, que seria devastador para um país ainda imerso na crise e à mercê dos mercados.

https://www.provincia.biella.it/

Bersani abriu as pesquisas com uma enorme vantagem, mas pouco a pouco foi caindo, enquanto a batalha eleitoral se concentrou nas fortes e contínuas pressões entre Berlusconi e Monti.

Berlusconi parece ter subido, segundo as pesquisas, graças a uma campanha eleitoral baseada em frequentes aparições televisivas e em promessas incríveis.

Em suas muitas aparições na TV, "Il Cavaliere" não só prometeu abolir o imposto sobre o primeiro imóvel (IMU, em italiano) reintroduzido por Monti, mas também devolver o dinheiro desembolsado pelos italianos, assim como uma anistia fiscal total para quem tem dinheiro em contas no exterior.

Com uma pressão fiscal de 45% no país, e as últimas medidas de austeridade aplicadas por Monti, os italianos – e entre eles, sobretudo, os cerca 30% de indecisos – poderiam se deixar convencer por essas promessas.

Por isso, os impostos foram um dos temas centrais na campanha eleitoral, mas Monti e Bersani, conscientes da situação econômica que o país atravessa, só se atreveram a prometer reduções futuras no IMU e tímidas ajudas para as famílias.

Sobre os temas sociais e estimulados pelas leis aprovadas em outros países europeus, tanto Monti como Bersani se comprometeram a legislar os direitos dos casais homossexuais, mas sem pronunciar a palavra "casamento".

A presença na mídia e o "bombardeio" nas redes sociais foram a tônica da campanha eleitoral na Itália, onde em muito poucas vezes os líderes políticos estiveram em contato direto com os eleitores.

Quem decidiu fazer corpo a corpo nas praças das cidades, e as lotou, foi o chamado partido da "antipolítica", o Movimento 5 Estrelas do comediante Beppe Grilo, que está destinado a incentivar ou desestabilizar, dependendo de quem analisa, o panorama político italiano, já que conseguiria até 50 deputados – a mesma quantidade de Monti – o que na Itália pode ser decisivo para aprovar leis ou fazer governos renunciarem.

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