Uma onda de insatisfação tomou conta das escolas italianas com estudantes do ensino médio protestando em diversas cidades contra o governo da premiê Giorgia Meloni.
Os jovens pedem mais investimentos na educação pública e menos gastos com armamentos, em um movimento que segue o rastro de mobilizações semelhantes vistas recentemente na França e em outros países europeus.
“Dinheiro para as escolas, não para a guerra” e “Menos armas, mais direitos” foram alguns dos slogans entoados pelos estudantes, que foram às ruas após uma série de ocupações de colégios nas últimas semanas.
As manifestações ocorreram em cidades como Roma, Turim, Gênova, Veneza, Pádua, Treviso, Cagliari e Verona e também criticaram o decreto do governo que impôs um limite de 30% para alunos estrangeiros em cada sala de aula.
Na capital, pessoas encapuzadas lançaram artefatos explosivos improvisados, como fogos de artifício e pequenas bombas caseiras, e empurraram contêineres de lixo para o meio da rua.
Os estudantes também queimaram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel. Segundo o sindicato policial Siulp, pelo menos 18 agentes ficaram feridos durante a marcha diante do Ministério da Educação.
Em Cagliari, na Sardenha, o ato foi batizado de “No Meloni Day”. Já em Verona, um grupo de estudantes ateou fogo a cinco contêineres de lixo e a um patinete elétrico estacionado nas proximidades.
Em Gênova, manifestantes penduraram cartazes de Meloni e do ministro da Educação, Giuseppe Valditara, de ponta-cabeça, em referência à exibição do corpo do ditador fascista Benito Mussolini em Milão, em abril de 1945.
Já em Turim, várias centenas de jovens marcharam gritando palavras de ordem contra o governo, Meloni, Valditara e contra o general Roberto Vannacci, líder do novo partido de extrema direita Futuro Nacional. Durante o protesto, pedras e ovos foram lançados contra policiais, e três menores de idade acabaram presos em flagrante por resistência agravada a oficial público.
“Este não é mais o momento para diálogo, estamos furiosos. Não há dinheiro para as nossas escolas, mas há para as guerras deles. Se nesta semana ocupamos 30 escolas, na próxima serão 100”, disse um manifestante em Turim, em referência ao apoio financeiro e militar da Itália à Ucrânia no conflito contra a Rússia.
Os organizadores estimam que 400 mil pessoas participaram de protestos em toda a Itália nesta sexta-feira, número que não foi confirmado de forma independente.
A onda de protestos acontece enquanto o país começa a aquecer os motores para as eleições legislativas previstas para daqui a um ano, quando Meloni, chefe do governo mais longevo da história republicana italiana, tentará a reeleição contra uma oposição unida.
“Fico sempre feliz quando há mobilizações, mas uma coisa diferente é a violência. Precisamos ser claros sobre isso. Peço a todas as forças políticas que façam um apelo por manifestações sem violência”, declarou a primeira-ministra após uma reunião de líderes europeus em Bruxelas.
Além dos estudantes, a premiê enfrenta o descontentamento de agricultores e caminhoneiros com a disparada da inflação, que avançou 4,2% em setembro e atingiu o maior valor em três anos, impulsionada pela alta dos combustíveis e da energia em função das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.
Diversas cidades do sul da Itália, a porção do país mais carente em infraestrutura, têm registrado bloqueios de rodovias por caminhoneiros, provocando problemas de abastecimento de mercadorias.




