
O proprietário do bar Le Constellation, palco do incêndio que deixou 40 mortos e 116 feridos em Crans-Montana, na Suiça, foi preso após passar por um interrogatório de seis horas e meia.
A notícia chega em um dia de luto nacional no país alpino por conta da tragédia, que vitimou sobretudo adolescentes e jovens adultos que celebravam a chegada do novo ano em um concorrido destino de inverno nos Alpes.
Jacques Moretti, dono do Constellation, deixou o Ministério Público de Sion a bordo de uma viatura da polícia do cantão de Valais, enquanto sua esposa, Jessica Moretti, coproprietária do bar e que também prestou depoimento, saiu do prédio acompanhada de seus advogados e, em lágrimas, pediu perdão às famílias dos mortos.
“Meus pensamentos estão constantemente com as vítimas e com aqueles que lutam por suas vidas hoje.
Essa é uma tragédia inimaginável. Eu jamais poderia pensar que isso pudesse acontecer em um de nossos estabelecimentos e quero pedir desculpas”, declarou Jessica.
O casal é investigado por suspeita de responsabilidade no incêndio, em meio às dúvidas se o Constellation, que não era inspecionado pelas autoridades de Crans-Montana desde 2020, respeitava as normas de segurança contra chamas.
O fogo teria começado por fagulhas lançadas por velas pirotécnicas no revestimento de espuma do teto do bar e se espalhou rapidamente, enquanto muitas pessoas ainda filmavam o princípio de incêndio, sem adivinhar o perigo que se aproximava.
Segundo a imprensa suíça, a prisão de Jacques Moretti foi pedida pela procuradora Catherine Seppey por “potencial risco de fuga”. O proprietário do Constellation passará por uma audiência de custódia, que pode determinar o uso de tornozeleira eletrônica ou pagamento de fiança.
Além disso, o MP de Sion pediu que Jessica seja colocada em regime domiciliar, com monitoramento eletrônico, também para evitar o perigo de fuga.
O incêndio ainda é investigado separadamente pelos Ministérios Públicos da Itália, da França e da Bélgica, países que perderam cidadãos na tragédia. Em Roma, procuradores pediram a autópsia das vítimas italianas, todas elas adolescentes entre 15 e 16 anos. Cinco delas foram enterradas na própria Itália, enquanto uma foi sepultada em Lugano, na Suíça.



