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“Fiat é meio brasileira, mas carrega italianidade”, diz vice-presidente da marca

Fabio Botto
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Era 1976 quando a Fiat, símbolo da indústria automotiva da Itália, desembarcou em uma pequena cidade no coração do Brasil para iniciar aquele que seria um dos maiores cases de sucesso de sua história.

Ao longo de meio século, a montadora de Turim se tornou cada vez mais brasileira, com uma longa lista de inovações criadas e desenvolvidas em solo verde e amarelo, mas sem deixar de lado seu DNA “made in Italy”.

https://www.provincia.biella.it/

“A gente tem uma mistura bonita e muito única que nos deixa em um lugar privilegiado como companhia”, diz à agência Ansa Frederico Battaglia, vice-presidente das marcas Fiat e Abarth para a América do Sul, em evento pelos 50 anos da fábrica de Betim, em Minas Gerais, marco zero da atuação da montadora no Brasil. “A Fiat é mezzo italiana e meio brasileira”, acrescenta.

O primeiro carro produzido pela empresa na planta mineira foi o 147, inspirado no 127 italiano e que logo viraria um dos símbolos do mercado automotivo brasileiro. Apenas três anos depois, o 147 também se tornaria o primeiro modelo movido a etanol fabricado em série no mundo, no âmbito de uma estratégia do Brasil para enfrentar o choque do petróleo do fim dos anos 1970, ganhando o simpático apelido de “cachacinha”.

De lá para cá, a lista de inovações criadas pela Fiat em Betim só aumentou, desde o Uno Mille, que inaugurou o segmento de carros populares no país, até os modernos veículos Bio-Hybrid, que combinam motorização flex e diferentes níveis de eletrificação, porém sempre preservando a ligação com a Itália.

“A gente carrega conosco várias características dessa italianidade, como a acessibilidade de tecnologias. A Fiat é uma marca que sempre inovou no Brasil, e essa vontade de fazer o novo é muito italiana, assim como o design dos carros é muito inspirado na linguagem italiana”, afirma Battaglia.

Neto de imigrantes de Pádua e Treviso, o executivo tem dupla cidadania e começou sua carreira na Fiat na Europa, em 2000, quando pôde ver de perto o “espírito italiano de colocar a mão na massa”. Durante muito tempo, ele diz, seu italiano foi até melhor que o português, mas agora os dois estão “pau a pau”.

Hoje Battaglia chefia a principal operação da montadora no mundo, já que o Brasil é responsável por 40% de suas vendas globais. Já são cinco anos consecutivos na liderança do mercado brasileiro, e caminhando para o sexto, com 270 mil unidades vendidas no primeiro semestre de 2026 e três carros entre os 10 mais comercializados no país: Strada, em primeiro lugar, Argo, em quarto, e Mobi, em 10º. Para a segunda metade da década, a promessa é lançar pelo menos um modelo completamente novo por ano no gigante sul-americano até 2030, começando pelo Argo X, previsto para as próximas semanas.

“O italiano é um povo muito trabalhador, e quando a Fiat chegou ao Brasil, ela trouxe esse espírito de empreendedorismo”, afirma o vice-presidente, destacando o legado de industrialização promovido pela montadora em Betim, ao deslocar o eixo da indústria automotiva no país, antes concentrado na Grande São Paulo, para Minas Gerais.

https://www.provincia.biella.it/

E hoje o Brasil não apenas se beneficia desse DNA italiano, mas também serve de modelo para a Fiat em outros países. “A marca se inspira muito no que o Brasil traz para ela. Temos cada vez mais desenvolvimentos conjuntos, vamos ter um produto chegando neste ano que tem muito a ver com essa sinergia, e a nossa engenharia brasileira é responsável globalmente por plataformas desenvolvidas aqui, então temos uma troca grande no dia a dia”, conclui Battaglia. 

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