
O filme brasileiro “O Agente Secreto”, vencedor de duas estatuetas no Globo de Ouro de 2026, estreia nos cinemas italianos no próximo dia 29 de janeiro.
Na obra de Kleber Mendonça Filho, Wagner Moura interpreta o professor universitário Marcelo, que retorna ao Recife após anos sendo perseguido por matadores de aluguel em São Paulo.
O longa é ambientado durante a ditadura militar, período também retratado em outro sucesso do cinema brasileiro, “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de melhor filme internacional em 2025.
Segundo Wagner, que faturou o Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama por seu papel em “O Agente Secreto”, o protagonista “representa uma experiência coletiva daquilo que muitos brasileiros viveram na ditadura”.
Marcelo é um homem que “está tentando viver sua vida de acordo com seus próprios valores, algo que aconteceu com muitos e que vemos hoje em várias partes do mundo”, explicou o astro do cinema brasileiro, que recuperou a experiência na direção de “Marighella” para revisitar o período do regime militar.
“Eu mergulhei completamente naquele período.
Era como abrir um álbum de fotos antigo e ver meu pai com a camisa desabotoada no peito; é um mundo do qual me sinto muito próximo. Também tenho muita curiosidade sobre a juventude daquela época; os jovens dos anos 1960 e 1970 eram diferentes da minha geração, acho que os jovens daquela época queriam mudar o mundo”, disse Wagner.
O filme também evoca uma ligação natural com o Brasil de hoje, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu círculo mais próximo foram condenados por uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
“Eu havia pensado em um filme ambientado em 1977 e me esforcei para garantir que tanto a impressão quanto o visual evocassem plenamente aquele período. E alguns amigos e os primeiros leitores do roteiro me apontaram que vivemos um momento muito particular no Brasil, com o retorno da direita. A lógica da direita no Brasil é voltar aos bons e velhos tempos da ditadura militar”, disse Mendonça Filho.
Segundo ele, associações similares também foram feitas em outros países. “Quando o filme começou a ser lançado nos cinemas, houve uma reação muito forte na Espanha, visto que o país ainda não fez as contas com o regime de Franco. Algo semelhante aconteceu nos Estados Unidos, considerando o que está ocorrendo nas universidades. Um crítico chileno constatou o mesmo em relação a Pinochet. Estou muito curioso para ver como a Itália reagirá”, salientou o diretor.
Há referências à Itália em alguns momentos de “O Agente Secreto”, por exemplo, quando a mulher que esconde Marcelo, Sebastiana (Tânia Maria), diz que esteve em Sassuolo.
“Quando faço um filme, acho que ele deve ser uma representação artística espontânea do mundo, e a Itália faz parte desse mundo. Além disso, milhões de brasileiros hoje são de origem italiana. Gostei da ideia de Sebastiana ter ido para a Itália na década de 1930, talvez porque eu estivesse pensando nesse período histórico para o meu próximo filme. Li muito sobre as mulheres fortes que lideraram a Resistência e sobre um caso em Sassuolo: pareceu perfeito mencioná-la”, explicou o cineasta.
Além da estatueta para Wagner Moura, “O Agente Secreto” venceu o Globo de Ouro de melhor filme em língua não-inglesa e aparece com força para ser indicado ao Oscar, cuja lista de nomeados será divulgada na semana que vem. O longa também faturou os prêmios de melhor direção e melhor interpretação masculina no último Festival de Cannes.




