O mundo do futebol se despediu de Franco Baresi, um dos maiores defensores da história e o último grande líbero, em um funeral marcado por forte comoção na Basílica de Sant’Ambrogio, em Milão.
O ex-jogador do Milan e da seleção italiana faleceu aos 66 anos de idade.
Milhares de torcedores milanistas lotaram a praça em frente ao templo para prestar suas últimas homenagens, muitos deles agitando bandeiras vermelhas e pretas com o número 6, imortalizado por Baresi.
O clima era de profunda emoção, com cânticos como “existe apenas um capitão” ecoando entre o público.
Já a Curva Sud, principal torcida organizada do Milan, exibiu uma enorme faixa com os dizeres: “Lenda imortal, inimitável bandeira que jamais deixará de tremular”. O caixão, adornado com rosas vermelhas e brancas, foi carregado ao som de aplausos.
O funeral contou com a presença de ilustres ex-companheiros de Baresi, como Paolo Maldini e Marco van Basten, companheiros em três títulos da Liga dos Campeões entre o fim dos anos 1980 e o início dos anos 1990 e que foram ovacionados pela torcida.
Outros ex-jogadores do Milan também compareceram à cerimônia, incluindo o brasileiro Dida, Clarence Seedorf, Mauro Tassotti, Alberico Evani, Filippo Galli, Angelo Colombo, Marco Simone e Riccardo Montolivo, bem como o CEO Massimo Calvelli.
Já proprietário do clube rossonero, o ítalo-americano Gerry Cardinale, e o presidente Paolo Scaroni foram vaiados, mostrando a insatisfação dos milanistas com a atual gestão. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, também ouviu algumas vaias.
Em sua homilia, o sacerdote Carlo Faccendini, abade de Sant’Ambrogio, lembrou que os “evangelhos mostram a explícita predileção de Jesus pelos pequenos” — Baresi tinha 1,76m de altura e era considerado baixo para um zagueiro, o que não o impediu de ser considerado por muitos como o melhor da história em sua posição.
Em 20 anos de carreira, ele defendeu apenas um clube, o Milan, e a seleção da Itália, conquistando três Ligas dos Campeões, seis Séries A, dois Mundiais de Clubes, três Supercopas Europeias e quatro Supercopas da Itália, além da Copa do Mundo de 1982.
“É indiscutível a predileção de Jesus por Franco Baresi, que nos ensinou que é possível se tornar grande mesmo permanecendo pequeno”, disse Faccendini, acrescentando que o ex-jogador era um “campeão de classe, tenacidade e força, o Maradona da defesa, o melhor zagueiro de todos os tempos”.
O ministro do Esporte da Itália, Andrea Abodi, também esteve presente e destacou o legado de Baresi: “Ele deixou sua mensagem para todos nós, sempre buscando aliar classe e estilo à simplicidade de seu comportamento. Seu senso de pertencimento à família do Milan, bem como ao futebol como um todo, é a razão pela qual ele é amado por todos, não apenas pelos torcedores do Milan”.
Clubes como Real Madrid, Barcelona, Inter de Milão e Roma enviaram representantes, enquanto a Fifa, por meio de seu presidente, Gianni Infantino, e o ex-jogador milanista Andriy Shevchenko mandaram coroas de flores.




