
A mobilização da chamada “geração Z”, ou seja, os eleitores nascidos a partir da segunda metade da década de 1990, foi crucial para o resultado do referendo que rejeitou uma reforma constitucional da Justiça proposta pelo governo da premiê da Itália, Giorgia Meloni.
É o que diz uma pesquisa do instituto YouTrend, que mostra que a faixa etária entre 18 e 34 anos teve a participação mais elevada nas urnas, com 67,3%, mais de oito pontos percentuais acima da média (58,9%).
De acordo com a sondagem, 60% desse público optou pelo “não”, que saiu vencedor com 53,74% dos votos, contra 46,26% do “sim”, que prevaleceu apenas entre os eleitores de 50 a 64 anos.
“É uma dinâmica consistente com o que definimos como política sob demanda: alta participação em questões individuais, sem filiação partidária estável”, explicou o YouTrend.
O fundador do instituto, Lorenzo Pregliasco, cogitou inclusive que a geração Z possa ter dado um “voto de revanche” contra o governo Meloni, que rejeitou os apelos para permitir que cerca de 5 milhões de italianos que estudam ou trabalham fora de seus domicílios eleitorais pudessem votar nos lugares onde vivem.
A proposta promovia mudanças significativas na magistratura italiana, como a separação das carreiras de juízes e promotores, impedindo a troca de funções; a criação de um tribunal superior para disciplinar membros do Judiciário; a divisão do Conselho Superior da Magistratura (CSM), órgão de autogoverno da categoria, em duas entidades; e a alteração na forma de eleição dos membros do CSM, que passaria a ser feita por sorteio.
O governo alegava que a reforma modernizaria a Justiça e evitaria que o trabalho de quem julga fosse contaminado pelo de quem acusa.
Já a oposição acusava o Executivo de tentar aumentar o controle sobre o Judiciário, sobretudo com as mudanças no CSM e a criação de um tribunal disciplinar, e de não abordar problemas estruturais da Justiça, como o prazo dos processos e a superlotação carcerária.



