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GRAVE CRISE ECONÔMICA: Banco Central Europeu consegue tirar Itália do caminho do colapso financeiro

Fabio Botto
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O Banco Central Europeu (BCE) conseguiu tirar Itália e Espanha do caminho de um colapso parecido com o de Grécia e Portugal.

Segundo informação de corretores do mercado de dívida europeia, o BCE havia comprado de 2 a 3 bilhões de euros em títulos italianos e espanhóis (por volta das 9h de segunda-feira, no Brasil. Houve compras menores de títulos portugueses e irlandeses). Na prática e indiretamente, o BCE começou a emprestar dinheiro para os governos da Itália e Espanha.

https://www.provincia.biella.it/

O retorno (“juros”) dos títulos da dívida de prazo de 10 anos de Itália e Espanha havia passado de 6% ao ano no final da semana passada. Hoje, caíam para algo em torno de 5,3%. Os mercados ainda não fecharam.

As Bolsas europeias, porém, perderam valor (com exceção importante das de Madri e de Milão). Às 11h do Brasil, o DAX (índice da Bolsa de Frankfurt) caía cerca de 3%, o FTSE (Londres) cerca de 1,7% e o CAC (Paris), 1,6%. Mas as quedas podem estar relacionadas também aos problemas da dívida americana (cuja nota de longo prazo foi rebaixada na sexta-feira de noite pela agência S&P). As Bolsas americanas caíam em torno de 3%. No mercado, dizia-se que o pânicao era “até menor que o esperado”, dada a quantidade de más notícias.

Na semana passada, as principais Bolsas dos EUA e Europa sofreram as maiores quedas (numa semana) desde outubro de 2008, quando o mercado ainda vivia o pânico da quebra de grandes bancos nos EUA.

Pânico na semana passada

Na semana passada, investidores se desfaziam dos títulos das dívidas desses dois países (um título da dívida representa um empréstimo. Os investidores vendiam tais títulos no mercado). Ao fazê-lo, os títulos perdem valor, o que eleva as taxas de retorno (“juros”) que pagam esses papeis.

Em suma, isto quer dizer que, para ficar com um papel da dívida italiana ou espanhola, os investidores querem receber juros maiores, pois temem o risco de emprestar a esses governos, muito endividados. Caso os governos da Itália ou Espanha fossem ao mercado na semana passada (a fim de tomar empréstimos), teriam de pagar juros maiores.

Itália e Espanha são, respectivamente, a terceira e a quarta economias da zona do Euro. A dívida italiana é a maior da zona do euro. É mais que o triplo da dívida de Portugal, Grécia e Irlanda, somadas –países quebrados.

https://www.provincia.biella.it/

Diante da crise, ao longo do final de semana as autoridades econômicas europeias, dos EUA, Japão e Canadá discutiram medidas de emergência. Na noite de domingo, o BCE anunciou que compraria títulos italianos e espanhóis.

Na quarta-feira, o BCE anunciara que compraria apenas papeis portugueses e gregos, o que deflagrou um pânico nos mercados. Investidores passaram a se desfazer ainda mais de papeis de países europeus em dificuldades (Itália, Espanha, Portugal, Grécia e até da França) e de outros ativos (investimentos) de risco (como ações, especulação com commodities etc).

Crise bancária: BCE volta atrás

O BCE disse ter resolvido entrar no mercado porque Itália e Espanha se comprometeram a cortar mais despesas e porque, em breve, os governos da União Europeia começarão a comprar os títulos italianos e espanhóis. No final de setembro ou em outubro, estaria em funcionamento a versão ampliada do fundo europeu para tapar rombos (o Fundo Europeu de Estabilização Financeira, na prática criado no ano passado para ajudar a Grécia).

O BCE, em especial os alemães que lá têm assento, são contra a ideia de um BC financiar países, mesmo indiretamente, comprando títulos no mercado secundário (isto é, dívida que já está na mão do mercado. No mercado primário, os governos vendem a dívida ao mercado –tomam empréstimos). O BCE assim perderia sua independência e se tornaria um braço do governo (teria papeis fiscais, isto é, de financiamento de governo).

Na verdade, o BCE teve de ir ao mercado porque não havia alternativa imediata ao risco de colapso ainda maior do preço dos papeis da dívida italiana e espanhola.

Tal risco cria outros problemas graves nas finanças européias:

1) Bancos italianos são os grandes financiados da dívida italiana. O risco de calote italiano aumentou a desconfiança sobre a saúde dos bancos italianos. Tem havido uma lenta corrida bancária (saques de depositantes) contra os bancos italianos, o que reduz seu capital, sua possibilidade de emprestas;

2) O temor aumentado de quebra de bancos na Europa dificulta e encarece o crédito interbancário e, assim, todo o financiamento bancário na Europa. Se a crise se aprofunda, há o risco de paralisia de empréstimos (como em 2008), o que aumenta a chance de quebra de bancos e mesmo de empresas.

Ao comprar os papeis, o BCE eleva seus preços, derruba os “juros” e evita que se dissemine ainda mais a percepção de que Itália e Espanha quebrarão em breve.

Na prática, também, o BCE financia a saída de investidores que não querem mais assumir os riscos de serem credores desses países.

Mas ao comprar a dívida, o BCE cria “dependência”: se deixar de comprar os papeis, os títulos podem voltar a perder valor de modo catastrófico. Em tese, o BCE vai ter de assumir dezenas, ou talvez centenas, de bilhões da dívida de Itália e Espanha. CAMPANHA 2011 CONTRA O ABORTO: Fabio Botto Farhan, Padre Marcelo, Daniel Dantas e Beatrice Ludovico.

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