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Há 10 anos morria Gianni Agnelli, um símbolo da Itália no mundo

Fabio Botto
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Há 10 anos, morria Gianni Agnelli, o "Avvocato". Era 24 de janeiro de 2003, quando, em sua casa em Turim, morreu aos 82 anos o último grande capitão da indústria da Europa, definido por muitos como "o rei da Itália". Agnelli desapareceu em um dos momentos mais difíceis da história da Fiat, quatro anos após o centenário: contas no vermelho, uma dívida muito elevada e o risco de que os bancos assumissem o controle, enquanto vacilava o acordo com a General Motors.

No entanto, a estima por ele nunca decaiu, permanecendo elevada na Itália e em todo o mundo. A longa fila de dezenas de milhares de pessoas que homenagearam seu féretro na Pinacoteca Agnelli, ficará para sempre gravada no imaginário coletivo.

https://www.provincia.biella.it/

Agnelli passou a fazer parte da empresa aos 22 anos, quando seu avô, Giovanni Agnelli, fundador da Fiat, lhe fez o convite e, desde então, ficou conhecido como o Advogado. No entanto, a responsabilidade de gestão foi confiada a Vittorio Valletta, braço-direito do avô, enquanto ele frequentava mais o jet set internacional do que a empresa. Foram os anos do grave acidente de carro (1952) e do casamento com Marella Cacciolo (1953), do qual nascem Edoardo eMargherita. Ele assume a presidência operacional só em abril de 1966, aos 40 anos, quando a Fiat já é a mais sólida e importante empresa italiana. Agnelli era irrequieto, elegante e refinado, amava as festas, os iates e lindas mulheres; era também apaixonado por pintura e torcia pela Juventus. Seus rostos e papeis eram muitos, e entre luzes e sombras ele representou a Itália por 40 anos.

Sua liderança era forte nos negócios, na família, e no país. Amigo das pessoas mais poderosas e influentes do mundo, era ouvido, respeitado e imitado. Suas piadas ficaram gravadas na história. Agnelli também foi protagonista de grandes negociações, um diplomata. É por isso que os empresários lhe deram o comando da Confindustria de 1974 a 1976. A política o atraía, mas nunca se filiou a um partido, mesmo afirmando que seu "coração batia republicano''.

Ele chega ao Parlamento 15 anos mais tarde, em 1991, nomeado senador vitalício pelo então presidente Francesco Cossiga. Na Fiat ele pilota a entrada dos líbios de Muammar Kadafi no capital da empresa. Foram os anos do terrorismo, ao qual a montadora paga um tributo de mortos e feridos e do outono quente, que culminou com a marcha dos 40 mil. Sob pressão, a Fiat desiste das demissões e coloca na "cassa integrazione" (suspensão temporária do emprego, na qual o funcionário se ausenta do trabalho e recebe parte de seu salário) 23 mil funcionários. Para os sindicatos e a esquerda italiana é uma derrota histórica. Para a Fiat é uma virada decisiva. A empresa de Turim está pronta para se reerguer, e sobre uma nova base.

Ao lado de Cesare Romiti, Agnelli relança a empresa no cenário internacional. Em 1993, em outro período difícil para a Fiat, pede o apoio de seu amigo Enrico Cuccia, proprietário da Mediobanca, mas deve renunciar à nomeação de seu irmão Umberto como seu sucessor. Justamente a sucessão se revela um jogo muito difícil com a morte prematura de Giovanni Alberto, filho de Umberto, até a escolha de seu neto John Elkann. 

Depois de sua morte, houve confrontos pela herança entre a filha Margherita e a mãe Marella, mas permanece a sólida estrutura da fortaleza erguida em 1987, encabeçada pela sociedade limitada Giovanni Agnelli & C, por ele desejada para proteger a coesão família. 
      Dez anos depois a Fiat sobrevive a Gianni Agnelli e é uma Fiat diferente, com uma nova carteira de identidade. "Ele deixou um vazio sem herdeiros", escreveu Alan Friedman. A grande ausência do Advogado são seu carisma, autoridade e elegância.

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