Dois ativistas italianos ligados à Flotilha Global Sumud, detidos no fim de semana na Líbia, foram transferidos para Benghazi e estão sendo tratados pelas autoridades locais como possíveis imigrantes ilegais.
Segundo fontes próximas ao caso, eles podem ser expulsos do país nos próximos dias. Os italianos foram identificados como Domenico Centrone, de 33 anos, natural de Molfetta, próximo a Bari, e Dina Alberizia, do Piemonte.
Os dois cidadãos integravam um grupo de cerca de 10 ativistas que participavam de um “comboio terrestre” organizado pela Flotilha Global Sumud, com o objetivo de levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza através do Egito.
De acordo com Maria Elena Delia, porta-voz italiana da organização, o grupo perdeu contato com os ativistas após a entrada na região de Sirte, área controlada pelas forças do general Khalifa Haftar, no leste da Líbia.
“Eles podem ter sido presos; estavam negociando em um posto de controle com as milícias de Haftar”, afirmou Delia.
Segundo fontes jurídicas ligadas à Flotilha, os ativistas aguardam julgamento em um tribunal de Benghazi. As autoridades locais alegam que eles teriam entrado na região sem a necessária “autorização de segurança”, motivo pelo qual estão sendo tratados como imigrantes ilegais.
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que os dois italianos devem comparecer diante de um juiz e disse esperar que seja autorizada a volta deles ao país.
“Estamos em contato com nosso interlocutor em Benghazi. Espero que possam ser expulsos o mais rápido possível, e estamos trabalhando para que retornem para casa”, declarou o chanceler em Roma.
O comboio da Global Sumud reunia cerca de 200 pessoas, além de sete ambulâncias e dez caminhões com ajuda humanitária. Segundo a organização, o grupo seguia de forma pacífica e em conformidade com o direito internacional, com o objetivo de apoiar os estágios iniciais da reconstrução do sistema de saúde e da infraestrutura civil de Gaza.
Ainda segundo os ativistas, as negociações com as autoridades do leste da Líbia para garantir passagem segura estavam paralisadas.
Em Sirte, integrantes do comboio relataram a presença de membros da 604ª Brigada, ligada a Haftar, posicionados com veículos armados e atiradores de elite em um posto de controle.
Um grupo de dez ativistas, incluindo cidadãos italianos, americanos, espanhóis, poloneses, portugueses e gregos, dirigiu-se ao local para negociar com as autoridades. Após cruzarem o posto de controle, não houve mais contato com eles.
A unidade de crise do Ministério das Relações Exteriores da Itália acompanha o caso e realiza investigações sobre o paradeiro e a situação dos ativistas detidos.




