
O Ministério Público de Agrigento, no sul da Itália, concluiu uma investigação contra 22 pessoas suspeitas de participarem de um esquema de venda de cidadania para brasileiros.
O encerramento do inquérito antecede a formalização da denúncia, que pode tornar os investigados réus por corrupção, falsidade ideológica, revelação de informações confidenciais e favorecimento à imigração clandestina.
Entre os alvos está Dario Gaglio, prefeito de Camastra, município de cerca de 2 mil habitantes na região da Sicília, além de servidores e guardas municipais. A investigação também abarca as cidades de Comitini, Naro, Porto Empedocle e Raffadali, todas na província de Agrigento.
Segundo a acusação, dezenas de brasileiros viajaram à região para obter a cidadania italiana por direito de sangue a partir de um mecanismo construído com documentos falsos, moradias fictícias e cumplicidade de servidores municipais.
A suspeita é de que o reconhecimento da cidadania era vendido por cifras entre 3,5 mil e 5 mil euros (entre R$ 21,5 mil e R$ 31 mil). Dois despachantes com sede em Raffadali seriam responsáveis por cada etapa do processo, desde o transporte dos brasileiros até sua colocação em imóveis alugados, frequentemente de parentes de servidores municipais, incluindo até a produção de supostos vínculos empregatícios falsos.
Ao longo dos últimos anos, a polícia e o Ministério Público desmantelaram diversas quadrilhas que praticavam corrupção e fraudes nos processos de reconhecimento de cidadania italiana jus sanguinis, especialmente envolvendo brasileiros.
O problema mais frequente é justamente a questão da residência. Para obter o reconhecimento na Itália, sem precisar encarar as filas nos consulados, é preciso comprovar moradia no país, o que exige a permanência por um período relativamente incerto, mas que pode durar por volta de três meses.
As fraudes recorrentes foram um dos motivos que levaram o governo da premiê Giorgia Meloni a aprovar uma medida restringindo o acesso de ítalo-descendentes à cidadania por direito de sangue, agora reconhecida apenas para quem tem um dos pais ou um dos avós nascido na Itália.



