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Itália não pode participar de “Conselho de Paz” de Trump, diz Tajani

O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, descartou a participação do país no “Conselho de Paz” na Faixa de Gaza, promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devido a problemas constitucionais “intransponíveis”.

“Não podemos participar do Conselho de Paz porque existe um limite constitucional”, confirmou ele em entrevista à agência Ansa, à margem do congresso do Partido Radical em Roma.

O Conselho de Paz tem como objetivo inicial monitorar a governança e a reconstrução da Faixa de Gaza, porém, segundo a Casa Branca, também pode se estender a outros locais de conflito, o que levantou preocupações de que Trump estaria tentando criar uma espécie de ONU paralela.

Até então, Roma não havia dado uma resposta, porém a primeira-ministra Giorgia Meloni avaliava a incompatibilidade da Constituição italiana com o estatuto do colegiado, que prevê Trump como presidente vitalício e com poder de veto.

Na Itália, a dúvida é se o estatuto do colegiado não entra em conflito com o artigo 11 da Constituição, que proíbe a concessão de pedaços da soberania nacional sem condições de igualdade com outros Estados.

“Estamos sempre disponíveis para discutir iniciativas de paz e prontos para fazer a nossa parte em Gaza, inclusive treinando a polícia. No entanto, em relação ao Conselho de Paz, o artigo 11 da nossa Constituição entra em conflito com o artigo 9 do Estatuto”, enfatizou Tajani.

O ministro italiano se referiu a “um obstáculo intransponível do ponto de vista legal” um dia após uma reunião com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Milão e Cortina d’Ampezzo.

“As relações com os EUA são muito positivas. Em discussões com Vance e Rubio ontem, reiteramos nossa posição”.

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