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Italiano extraditado no Brasil Cesare Battisti, lançará livro em abril no Rio de Janeiro

Fabio Botto
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Do terraço de seu apartamento quase vazio e com vista panorâmica da baía do Rio, o ex-militante italiano de extrema-esquerda Cesare Battisti prepara o lançamento de seu próximo livro, escrito na prisão e que será publicado em breve na França e no Brasil.

Face au mur será lançado no dia 7 de março pela editora francesa Flammarion, sem a presença do autor, refugiado no Brasil. Sua versão brasileira, Ao pé do muro ficará a cargo da editora Martins Fontes e será publicado em 12 de abril.

https://www.provincia.biella.it/

"A presidente da Flammarion, Tereza Cremisi, quer fazer um bom lançamento. Ela me disse que talvez ocorram problemas com os italianos, mas que, em primeiro lugar, é uma editora", afirmou à AFP Battisti, exigido pela Itália por assassinatos cometidos no fim dos anos 70, dos quais se declara inocente.

O livro, escrito em francês, não é autobiográfico, mas fala do Brasil e de suas injustiças através dos relatos dos prisioneiros com os quais conviveu durante anos. "A prisão só aparece como pano de fundo. Tereza se encantou com o fato de ter encontrado a maneira de falar do Brasil através de prisioneiros brasileiros. Há detalhes divertidos e dramáticos", acrescenta.

"Capturei verdadeiramente a emoção do prisioneiro quando fala. Exagera a noção de liberdade, a sublima. O pior dos criminosos é capaz de ser terno", explica Battisti, que levou dois anos e meio para escrever seu livro à mão, no início escondido, porque era proibido de fazê-lo.

"Ver-me escrevendo em vez de ler revistas pornô intrigava os detentos. Eram celas para duas pessoas, mas, às vezes, éramos dez. Nós nos revezávamos para dormir", lembra Battisti.

Ele teve a ideia do livro durante o passeio diário de duas horas no pátio da prisão. "Estou sentado ao pé de paredes altas, vejo um pedaço de céu azul e um raio de sol e me desloco à medida que se move. Cruzo com o olhar de um detido e lanço sua amarga história sobre o papel. Quero saber como chegou ali. É o sistema o que produz o crime. O criminoso é também uma vítima", afirma.

Battisti também está presente em seu livro. Traça uma ida e volta entre Brasília e seu presente na prisão, e o Rio e seu passado na semiclandestinidade.

"Conto em flashes como vivi este período, mas é uma história de ficção. A única coisa verdadeira é a emoção", ressalta.

https://www.provincia.biella.it/

Battisti já havia vivido no Rio entre 2004 e 2007, data de sua prisão. Começou a reconstruir sua vida, após 30 anos escapando da justiça italiana no México e na França, onde se converteu em autor de romances policiais.

Preso por quatro anos perto de Brasília, foi libertado em junho de 2011, horas após o Supremo Tribunal brasileiro rejeitar o pedido de extradição à Itália, o que provocou a ira de Roma. "Há 30 anos não me considero um militante político, mas um militante pela literatura. Tudo isto me surpreendeu; foi um retorno de 30 anos. Não me reconheço neste papel (de terrorrista). Isto me chateia muito", afirma.

Após ser libertado, primeiro viveu isolado em São Paulo e há três meses se instalou no Rio, onde começou, pouco a pouco, a retomar uma vida normal. Quer fundar uma ONG para incentivar a leitura.

Em liberdade, foi no início incapaz de fazer as três coisas que ocupavam seu tempo na prisão: ler, escrever e fazer exercícios físicos para poder dormir à noite. "Agora comecei a voltar a ler. Escrever, ainda não, mas vou começar. Tenho que pagar meu aluguel. É através da escrita que poderei fazer isso", afirma.

Por enquanto, divide uma casa com o administrador de sua editora brasileira e paga apenas uma parte dos gastos.

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