O Papa Leão XIV condenou o aborto em um discurso inédito feito no Parlamento espanhol, em Madri, defendendo a vida humana “desde sua concepção até o seu fim natural”.
O apelo é feito em meio a tentativas do governo do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, para incluir o direito ao aborto na Constituição.
“Se a vida deixar de ser reconhecida como um valor fundamental, que futuro poderá ter as nossas sociedades?”, questionou o Pontífice.
Na sequência respondeu: “A defesa da vida humana não é uma questão de interesse particular ou de filiação religiosa: é um objetivo da civilização. Toda a vida humana deve ser reconhecida e protegida desde a concepção até ao seu fim natural, em todas as circunstâncias da sua existência.”
O discurso enfatizou especialmente a proteção dos mais vulneráveis, incluindo nascituros, idosos, doentes e pessoas em situação de dependência.
Segundo o Papa, “a grandeza moral de uma nação se manifesta, sobretudo, na sua capacidade de acompanhar, proteger e amar as vidas marcadas por maior fragilidade”.
Ele também destacou o papel central da família como base da sociedade. “A família será sempre a primeira escola da humanidade”, afirmou, defendendo-a como espaço de aprendizagem de valores como acolhimento, cuidado, perdão e serviço.
Leão XIV acrescentou que a estabilidade social e espiritual das nações se fortalece onde a família é apoiada. “Dentro da família, as gerações se entrelaçam e transmite-se uma memória viva que dá continuidade interior à sociedade. Onde a família é amparada, fortalece-se também a estabilidade espiritual e social das nações”, reiterou.
Em outro ponto do discurso, o Papa abordou a relação entre religião e esfera pública, afirmando que a autonomia do Estado não deve ser confundida com hostilidade à fé. Nesse contexto, defendeu a proteção do sigilo sacramental da confissão, afirmando que sua salvaguarda legal “preserva um espaço sagrado de liberdade interior” e está ligada à liberdade religiosa.
O Pontífice também alertou que, além de reformas legislativas e soluções técnicas, “é necessária uma renovação moral”, observação que foi interpretada por setores políticos espanhóis como um recado indireto em meio a debates sobre casos de corrupção envolvendo o PSOE e figuras políticas como o ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero.




