Em Barcelona, o Papa Leão XIV visitou o Centro Penitenciário Brians 1, no município de Sant Esteve Sesrovires, onde levou uma mensagem de esperança, reconciliação e recomeço aos detentos.
Durante o encontro, o pontífice ouviu os testemunhos de um preso e de uma detenta e destacou que os erros do passado não definem a identidade de uma pessoa.
“Mesmo que a opressão e a tristeza marquem certos momentos da sua jornada, lembrem-se de que os erros da vida não determinam a identidade de uma pessoa”, afirmou.
Leão XIV ressaltou que o passado não deve ser visto como uma condenação definitiva, mas como uma oportunidade para transformação. “Em nossas vidas, o passado não condena o futuro, mas nos oferece a oportunidade de mudar nossas decisões e escolhas”, disse.
Em sua mensagem aos internos, o Papa enfatizou a importância da conversão, do arrependimento e do perdão. “Ser humano e ser cristão não consiste em nunca cometer erros, mas em crescer na capacidade de converter-se, arrepender-se, corrigir-se e, sobretudo, reconciliar-se e perdoar”, declarou.
Como gesto simbólico, o pontífice presenteou os presos com um ícone de Nossa Senhora de Kazan de Fátima. A Virgem é representada vestindo as vestes brancas das aparições em Fátima, enquanto o Menino Jesus aparece acima de uma nuvem, recordando a visão da vidente Lúcia em 1925.
Tradicionalmente colocada em portas e entradas na tradição cristã oriental, a imagem representa proteção, esperança e a possibilidade de um novo começo.
Segundo o Vaticano, a presença do ícone em um ambiente marcado pela privação de liberdade simboliza misericórdia, proximidade e reconciliação.
Na recepção ao Papa, o capelão prisional Jesus Bel agradeceu pela visita e destacou o significado da presença do líder da Igreja Católica. “Obrigado por nos olhar com um olhar de misericórdia. Por dizer ao mundo que existimos, que sofremos, que queremos nos levantar e olhar para o futuro”, afirmou.
A unidade prisional Brians 1 abriga principalmente presos provisórios e conta também com uma ala feminina que reúne cerca de 200 detentas. O layout e a independência dos espaços permitem que os presos participem de diversas atividades culturais, educacionais, profissionais e esportivas em áreas designadas.
Após a visita ao presídio, Leão XIV seguiu para a Abadia de Nossa Senhora de Montserrat, um dos principais centros religiosos da Catalunha, onde participou de uma oração do terço diante de centenas de fiéis e crianças.
A passagem do Papa por Montserrat ocorre em meio a críticas de vítimas de abusos sexuais ligados à Igreja. O ativista Miguel Hurtado, que denunciou casos envolvendo monges beneditinos do mosteiro, havia pedido ao pontífice o cancelamento da visita, alegando que a abadia é um dos principais símbolos dos escândalos de pedofilia na Igreja catalã.




