
A Polícia da Itália proibiu a celebração do funeral de um líder mafioso em uma igreja dos arredores de Turim e determinou que o morto seja sepultado de forma “privada”, após protestos de associações de combate ao crime organizado.
Domenico Belfiore, chefe de um clã da ‘ndrangheta, a poderosa máfia calabresa, faleceu aos 73 anos, em um hospital, e a família planejava realizar uma despedida fúnebre na Paróquia de Madonna de Loreto, em Chivasso.
A notícia provocou indignação em entidades da sociedade civil pelo fato de Belfiore ter sido condenado à prisão perpétua como mandante do homicídio de Bruno Caccia, então procurador de Turim, em 26 de junho de 1983.
“Rezar por uma pessoa falecida é um ato de caridade que não deve ser negado a ninguém, pois a misericórdia de Deus é maior que os nossos pecados. Mas celebrar uma missa solene por um mafioso que não se arrependeu não é apenas uma oração, é colocar um homem de sangue no mesmo altar onde celebramos os santos”, declarou o padre Luigi Ciotti, fundador da associação antimáfia Libera.
“Um funeral na igreja para alguém que matou e não se arrependeu não é apenas um erro pastoral. É uma ferida adicional infligida às famílias das vítimas”, acrescentou. Em 2014, o papa Francisco excomungou todos os mafiosos durante uma visita à Calábria, berço da ‘ndrangheta.
Em meio às críticas, o chefe da Polícia de Estado na província de Turim, Massimo Gambino, determinou que o funeral de Belfiore não poderá ser realizado na igreja e também proibiu cortejos fúnebres. Além disso, o mafioso será sepultado de maneira privada.
Durante a manhã, o pároco de Madonna de Loreto, Tonino Pacetta, havia dito que não conhecia Belfiore e que, mesmo sabendo da excomunhão declarada por Francisco, não tinha nenhuma ordem da Cúria para impedir o funeral. “Eu o confiarei a Deus como pecador, mas cabe a Ele julgá-lo”, afirmou.



