
"A notoriedade pública de nossa elevada taxa de evasão prejudica age contra a Itália em relação aos países que, ocasionalmente, poderíamos necessitar de assistência financeira, como os países da Europa do norte", acrescentou.
Segundo o primeiro-ministro, esses países que podem oferecer assistência financeira pensam: "A Itália é um país muito rico, mas o Estado tem um fortíssimo endividamento público, que, talvez amanhã, necessitará de ajuda para se renovar; e depois há italianos ricos e de classe média que sistematicamente não pagam seus impostos". Desta forma, o chefe do governo tecnocrata, que chegou ao poder em novembro após renúncia de Silvio Berlusconi, aposta em uma "dura luta contra a evasão fiscal" e em ações que podem ser consideradas "antipáticas", mas que, segundo ele, têm um "forte efeito preventivo" em direção a outros cidadãos.
Em relação aos eurobonos, Monti afirma que é "uma proposta articulada e inteligente", mas lembra que alguns países não estão dispostos a aprová-los, algo que, segundo o próprio Monti, não será suficiente para impedir sua implementação. Os eurobonos serão criados "quando andarmos em direção a um maior controle das finanças públicas de cada país por parte das instituições comunitárias", apontou o primeiro-ministro da Itália. "A ideia da Alemanha e de outros países é de que só se pode ''mutualizar'' toda ou parte das dívidas públicas apenas quando tiver certeza que nenhum país se desvie em matéria de acumulo dívida pública, ou seja, quando a política de endividamento for administrada de um modo mais coordenado desde o centro da eurozona", acrescentou. Na entrevista, Monti também confirma que nas próximas semanas seu Executivo abordará a possível venda de parte do patrimônio imobiliário do Estado para reduzir o alto endividamento público, que fechou o ano de 2011 em um nível de 120,1% do PIB.
"Na primeira parte de vida do governo, preferimos nos concentrar sobre a atividade de contenção do déficit e de reforma, enquanto agora damos passos que demonstraram à Europa e ao resto do mundo a capacidade e a vontade do país de acometer profundas mudanças em sua estrutura", detalhou Monti. "Temos que acompanhar essas reformas com a redução da dívida pública através da venda de alguns ativos", finalizou o chefe de governo.




