
A Stellantis – gigante global do setor automotivo formada pela fusão da FCA e PSA e detentora de marcas como Fiat, Alfa Romeo e Maserati – deverá encerrar 2025 com queda de cerca de 20% na produção na Itália em relação ao ano anterior, com volumes abaixo de 380 mil veículos. O recuo, que atinge especialmente os carros de passeio, leva o nível de fabricação a patamares comparáveis aos dos anos 1950 e reforça a preocupação de sindicatos e governo sobre o futuro industrial do país.
A retração italiana é explicada por uma combinação de fatores: demanda europeia fraca, custos elevados, concorrência chinesa crescente, atrasos no lançamento de novos modelos e dificuldades específicas em fábricas estratégicas como Mirafiori e Melfi. O sindicato FIM-CISL pede antecipação do plano industrial, mais investimentos e definição clara de modelos a serem produzidos no país.
Mas o cenário negativo na Itália convive com um quadro muito diferente em outra frente central do grupo: o Brasil. Enquanto a Itália perde produção, o Brasil ganha peso estratégico.
Se na Itália a Stellantis enfrenta queda histórica de volumes, no Brasil a companhia vive o movimento inverso: consolidação, expansão tecnológica e protagonismo regional.
Hoje, o Brasil é um dos maiores mercados da Stellantis no mundo e o principal da América do Sul, que responde por cerca de 15% das vendas globais do grupo. A projeção, em dezembro, era vender 1 milhão de veículos na região em um ano. Até a data da projeção apresentada, no início de dezembro, 900 mil já haviam sido comercializados. Em território brasileiro, a empresa detém market share de cerca de 30%, com o emplacamento de 750 mil veículos em 2025.
Essa importância não é apenas comercial – é industrial e tecnológica. A planta de Goiana (PE) tornou-se símbolo desse salto, operando com alto nível de automação, integração digital e capacidade de desenvolvimento tecnológico.
Além disso, cerca de 76% dos veículos vendidos no Brasil são desenvolvidos localmente, com participação ativa das equipes de engenharia nacionais e colaboração internacional, indicando que o país não é apenas montador, mas também centro de desenvolvimento.



