
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que a União Europeia deverá propor “em breve” novas sanções contra o Irã, em resposta à repressão violenta contra manifestantes e ao número elevado de mortos no país.
“O crescente número de vítimas no Irã é assustador. Condeno inequivocamente o uso excessivo da força e as contínuas restrições à liberdade”, declarou Von der Leyen.
De acordo com a presidente da Comissão, a UE já incluiu todo o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) em seu regime de sanções por violações dos direitos humanos.
Em coordenação com a alta representante para a Política Externa, Kaja Kallas, novas medidas restritivas deverão ser rapidamente apresentadas contra os responsáveis pela repressão. “Estamos ao lado do povo iraniano que marcha corajosamente por sua liberdade”, afirmou.
Em Roma, o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, reforçou a posição europeia, destacando que o diálogo com Teerã não pode significar conivência com a violência.
“Sempre mantivemos uma presença discreta no Irã, atentos à proteção dos interesses nacionais e à garantia da lógica do diálogo, que é sempre importante, mesmo com regimes muito distantes do nosso. Mas diálogo não significa aceitar passivamente o espetáculo de um regime que reprime violentamente seus próprios cidadãos”, declarou o chanceler italiano em discurso no Senado.
Tajani ressaltou que a liberdade é um valor fundamental do governo e lembrou a luta da população iraniana. “Mulheres e homens do Irã estão lutando nas ruas e praças nestes dias, pagando um preço muito alto em sangue, sofrimento, prisão e, provavelmente, tortura. Tudo isso é absolutamente inaceitável”, afirmou.
Por fim, o vice-premiê da Itália expressou a expectativa de que o Irã ponha fim ao uso da pena de morte contra opositores políticos e inicie uma transição pacífica rumo à liberdade, ao Estado de direito e ao direito dos povos de escolherem seu próprio governo e futuro.
A revolta popular teve início no fim de 2025, impulsionada pela crise econômica e pela alta da inflação, e rapidamente passou a expressar a insatisfação generalizada com o sistema teocrático que governa o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
Segundo um canal de TV de oposição sediado em Londres, no Reino Unido, a repressão contra as manifestações populares já provocou cerca de 12 mil mortes.



