
Angelo Gurgel, assessor histórico de três Papas, morreu em Roma, aos 90 anos.
Nascido em 27 de abril de 1935, Gugel foi um colaborador próximo e discreto de João Paulo II ao longo de 27 anos, além de ter servido também Bento XVI e o papa João Paulo I, nascido Albino Luciani.
Fiel e reservado, esteve ao lado de Karol Wojtyła no momento do atentado sofrido pelo pontífice na Praça São Pedro, em 13 de maio de 1981 — um episódio que marcou a história recente da Igreja Católica.
A notícia de sua morte se espalhou na manhã desta sexta-feira (16) no Vaticano, provocando tristeza, comoção e numerosas mensagens de condolências entre membros da Cúria e pessoas que conviveram com o assessor.
Morador do bairro de Cavalleggeri, Gugel trabalhou no Vaticano por 50 anos. Ele iniciou sua trajetória na Gendarmaria Vaticana, passou pelo Governo do Estado da Cidade do Vaticano e, a partir de 1978, atuou como mordomo papal — primeiro de João Paulo I, depois de São João Paulo II e, por fim, de Bento XVI, a quem acompanhou nos primeiros meses de pontificado.
Mesmo aposentado, o italiano permaneceu fiel ao ministério papal. Em 2010, já com mais de 70 anos, foi chamado para acompanhar Joseph Ratzinger durante as férias de verão em Castel Gandolfo.
Em 2018, Gugel compartilhou pela primeira vez memórias e testemunhos de sua longa trajetória no Vaticano. Na ocasião, ele relatou, entre outros episódios, a confiança depositada por São João Paulo II, que lhe pediu ajuda para aperfeiçoar a pronúncia do italiano antes da homilia de inauguração de seu pontificado.
Ao longo da carreira, o italiano presenciou inúmeros acontecimentos longe dos holofotes, como viagens privadas às montanhas e orações de exorcismo conduzidas pelo Santo Padre.
Além disso, deu testemunho de um milagre que atribuía à intercessão de João Paulo II: o nascimento seguro de sua filha, em 1980, apesar das graves ameaças à vida da menina e de sua mãe.



