Uma investigação da polícia da Itália revelou que cerca de 70 jogadores de futebol, incluindo atletas de clubes como Milan, Internazionale de Milão, Juventus, Torino, Sassuolo e Verona, participaram de festas organizadas por uma agência de eventos suspeita de liderar um esquema de exploração da prostituição.
O epicentro do inquérito é a empresa “Ma.De Milano”, que organizava noitadas e encontros com jovens mulheres para jogadores da elite do futebol italiano, além de atletas de hóquei e até um piloto de Fórmula 1.
No entanto, de acordo com fontes ouvidas pela ANSA, ainda não está claro quantos desses esportistas teriam utilizado serviços de acompanhantes de luxo. Nenhum deles é investigado no momento, e seus nomes são mantidos em sigilo.
A investigação já levou à prisão de quatro suspeitos na última segunda-feira (20): o casal Emanuele Buttini e Deborah Ronchi, tidos como líderes da organização, e Alessio Salamone e Luan Fraga, que, segundo o inquérito, seriam responsáveis por manter contato com os jogadores e gerenciar os encontros com as garotas.
Os quatro estão em prisão domiciliar e são acusados de crimes como formação de quadrilha, exploração e favorecimento da prostituição e lavagem de dinheiro.
As festas eram realizadas em casas noturnas de luxo em Milão, geralmente após partidas, e eram movidas a gás hilariante (óxido nitroso, ou N2O), agente inalatório geralmente usado para sedação consciente, mas que causa euforia leve e não gera risco de doping. Mas também há suspeitas de que o grupo operava na ilha de Mykonos, na Grécia, durante o verão europeu.
Uma das acompanhantes que participava dessas noitadas teria inclusive engravidado de um jogador. Uma interceptação telefônica obtida na investigação aponta que a mulher entrou em contato com Salamone para determinar a data de uma relação sexual e identificar o parceiro.
“Quando ele veio? Se você lembrar das datas exatas… Vou te contar uma coisa, mas não conte para ninguém: acabei de fazer o teste e estou grávida de mais de três semanas”, disse a jovem, que não foi identificada. Salamone sugeriu à garota de programa que olhasse as datas de uma conversa no WhatsApp para determinar a data do encontro.
O inquérito nasceu da denúncia feita por uma jovem estrangeira em agosto de 2024, mas o esquema operava havia vários anos, inclusive durante a pandemia de Covid-19, quando as noitadas eram realizadas em um local privado para burlar as regras de isolamento.
A mulher contou que uma colombiana foi obrigada a se prostituir em troca de mil euros (R$ 5,8 mil), mas teve de dar metade do dinheiro para os agenciadores. Segundo a Guarda de Finanças, jogadores de futebol repassaram pelo menos 194 mil euros (R$ 1,1 milhão) para as contas dos organizadores dos encontros.
De acordo com o inquérito, a rede contava com cerca de 100 garotas, a maioria delas entre 18 e 20 anos, incluindo brasileiras, e algumas delas “também estavam disponíveis como acompanhantes”. “Precisamos de mais duas ou três [mulheres] espertas”, diz um homem não identificado em um grampo feito pela Justiça. Fraga então responde: “Vou mandar a brasileira para eles.”
O serviço era anunciado em uma página no Instagram e, segundo o Ministério Público, era direcionado àqueles que estivessem “dispostos a gastar somas significativas para usufruir de serviços” com a participação de garotas, também disponíveis para “atividades de natureza sexual”.



