A União Europeia aprovou de forma definitiva, um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 522 bilhões) à Ucrânia, quantia que vinha sendo bloqueada pelo veto do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.
Após o sinal verde dado pelos representantes permanentes dos 27 países-membros em uma reunião na última quarta (22), os governos formalizaram por escrito o aval ao repasse, segundo a presidência pro tempore do Chipre na UE.
Além disso, os Estados integrantes da União chancelaram o 20º pacote de sanções contra a Rússia, medida que também vinha sendo travada por Orbán.
“Dou as boas-vindas ao acordo alcançado pelos Estados-membros sobre o empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia em 2026 e 2027 e sobre o 20º pacote de sanções”, escreveu no X a presidente da Comissão Europeia (poder Executivo da UE), Ursula von der Leyen.
“À medida que a Rússia intensifica sua agressão, reforçamos o nosso apoio à corajosa nação ucraniana, permitindo que a Ucrânia se defenda e pressionando a economia de guerra da Rússia”, acrescentou.
Já o presidente Volodymyr Zelensky declarou que o empréstimo tornará seu país “mais resiliente”. “É fundamental que a Ucrânia assegure um nível de segurança financeira após mais de quatro anos de guerra em larga escala. Estamos trabalhando para que a primeira parcela desse pacote de apoio esteja disponível em maio ou junho”, salientou.
Segundo o mandatário, os recursos serão destinados à produção e aquisição de armamentos e à preparação do setor energético e de infraestruturas críticas para o próximo inverno.
O empréstimo havia sido acertado em dezembro passado e prevê a destinação de 90 bilhões de euros a Kiev em 2026 e 2027, recursos financiados pela emissão de dívida por parte da Comissão Europeia e garantidos pelo orçamento da UE.
Esse mecanismo foi utilizado até hoje apenas para bancar o fundo de recuperação para o pós-pandemia, já que o endividamento do Executivo europeu para financiar políticas comunitárias ainda é motivo de controvérsia entre os países-membros.
No início do ano, no entanto, Orbán passou a bloquear o empréstimo, ainda que a UE tenha aceitado não incluir Hungria, Eslováquia e República Tcheca no instrumento, ao acusar Kiev de atrasar obras de reparo em um oleoduto que transporta petróleo russo para o leste europeu, passando pela Ucrânia.
Mas dois fatos recentes contribuíram para Budapeste retirar seu veto: a derrota de Orbán, líder da UE mais próximo do regime de Vladimir Putin, nas eleições húngaras para o conservador europeísta Péter Magyar e a conclusão do conserto do oleoduto, que voltou a operar normalmente.



