Uma nova regra adotada em uma das praias mais bonitas da Itália transformou-se em um dos assuntos mais comentados do início do verão europeu. Desde 6 de junho, banhistas entre 10 e 65 anos estão proibidos de utilizar guarda-sóis na praia de Punta Molentis, localizada no município de Villasimius, no extremo sudeste da Sardenha. A medida permanecerá em vigor até 31 de outubro e prevê exceções apenas para famílias com crianças menores de 10 anos e para pessoas acima de 65 anos, que podem utilizar um único guarda-sol por grupo.
Conhecida pelas águas cristalinas e pela areia branca, Punta Molentis é considerada um dos cartões-postais da Sardenha e recebe milhares de visitantes todos os verões. Justamente por sua popularidade, a praia já opera com diversas restrições de acesso, incluindo limite diário de visitantes, controle de estacionamento e cobrança de ingresso. Mas o que chamou a atenção foi a justificativa ambiental para a proibição dos guarda-sóis.
DECISÃO REVOGADA
O prefeito de Villasimius, Gianluca Dessì, revogou a regra que proibia o uso de guarda-sóis para pessoas entre 10 e 65 anos na praia de Punta Molentis, na Sardenha. A medida havia sido criada após o incêndio de 2025 e os danos causados pelas ressacas, mas gerou forte repercussão internacional. Segundo a prefeitura, novas avaliações técnicas apontaram melhora parcial das condições ambientais, permitindo flexibilizar as restrições. Agora, é permitido um guarda-sol por família ou grupo, embora continuem valendo o limite de visitantes, a cobrança de ingresso e outras medidas de proteção ambiental.
CONEXÃO COM O MEIO AMBIENTE
À primeira vista, a relação parece pouco evidente. Afinal, um guarda-sol não produz poluição nem gera resíduos significativos. No entanto, a prefeitura de Villasimius argumenta que o problema está no impacto cumulativo causado por milhares de equipamentos ao longo da temporada. Segundo as autoridades locais, a instalação constante dos mastros na areia contribui para a compactação do solo e pode acelerar processos de erosão em uma área costeira considerada particularmente frágil. Além disso, guarda-sóis, tendas e gazebos ocupam grandes áreas da faixa de areia, aumentando a pressão humana sobre um ecossistema que já sofreu danos recentes.
Outro argumento utilizado pela prefeitura está relacionado à segurança. Em julho de 2025, um grande incêndio atingiu a região e destruiu mais de 100 hectares de vegetação. Após o episódio, os protocolos de emergência foram revistos. A administração municipal concluiu que a grande quantidade de estruturas montadas na praia dificultava a circulação de equipes de resgate e poderia comprometer uma eventual evacuação.
As autoridades também afirmam que a presença massiva de equipamentos incentiva os visitantes a permanecerem mais tempo na praia, aumentando o impacto sobre a vegetação costeira e as dunas próximas.
CRÍTICAS
As explicações, porém, não convenceram parte da população nem especialistas consultados pela imprensa italiana. Críticos argumentam que, se o objetivo é proteger o meio ambiente, seria mais lógico reduzir ainda mais o número de visitantes em vez de proibir especificamente os guarda-sóis. Outros observam que a medida pode criar riscos à saúde pública, especialmente durante o verão mediterrâneo, quando as temperaturas frequentemente ultrapassam os 30°C e os índices de radiação ultravioleta atingem níveis elevados.
Nas redes sociais, a decisão foi recebida com ironia. Comentários sugerindo que turistas precisariam “alugar uma criança” ou “levar um avô à praia” para conseguir sombra viralizaram e transformaram a regra em assunto nacional.




