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Brasileiras relatam susto por novos terremotos na Itália

Fabio Botto
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Moradora da zona da Itália que tem sido atingida por terremotos desde 24 de agosto do ano passado, a brasileira Odete de Souza diz ter sentido claramente os tremores que sacudiram o centro do país.

Na península há 11 anos e mãe de uma filha de quatro, ela vive em Colli del Tronto, cidade da província de Ascoli Piceno, na região de Marcas, a apenas 80 km de Montereale, local do epicentro dos sismos desta quarta.

https://www.provincia.biella.it/

"Sentimos forte. Por vivermos no terceiro andar, é uma grande adrenalina. Dou sempre o exemplo de um assalto a mão armada, você sabe o que está acontecendo, mas não pode fazer nada e só deseja que acabe logo, bem ou mal", diz, em entrevista.

A situação atual na zona onde a brasileira mora é ainda mais grave por conta da onda de frio que derrubou as temperaturas e cobriu de neve o centro da Itália. O mal tempo tem dificultado os trabalhos de verificação do Corpo de Bombeiros e até a evacuação de pessoas assustadas com os terremotos.

"A sensação de impotência é muito grande. A neve, se enfrenta com dificuldades, mas é sempre suportável. Mas esses tremores nos deixam como em uma gaiola de pássaros", acrescenta. Colli del Tronto está a apenas uma hora de Amatrice, cidade devastada pelo tremor de 24 de agosto, e a uma hora e meia de Áquila, destruída por um sismo em abril de 2009.

Ainda assim, Souza, casada e funcionária de uma estrutura do Estado, não cogita mudar de município e muito menos voltar ao Brasil, aonde só viaja para visitar familiares. "No Brasil, existem outros problemas que não são naturais, como segurança pública caótica. E eu não mudaria para outras regiões italianas porque podem ocorrer tragédias de qualquer modo", afirma a brasileira.

Sua conterrânea Rafaela Antunes Cunha Moreira vive mais ao norte, em San Giovanni Lupatoto, na província de Verona, porém diz ter percebido os terremotos desta quarta, mesmo estando fora da área de maior perigo.

"Sentimos balançar enquanto eu estava sentada com meu bebê no colo. Quem percebeu primeiro foi meu marido", relata a brasileira, que é mãe de uma criança de cinco meses e vive na Itália desde novembro de 2015. Ela afirma que o tremor de 24 de agosto foi mais forte, os lustres da cozinha de sua casa chegaram a balançar, e o casal ficou muito assustado.

"Saímos correndo pelas escadas, do oitavo andar do edifício onde moramos. A orientação é para não pegar o elevador quando ocorrem terremotos por questões de segurança", salienta Moreira. A Itália registrou mais de 100 tremores nesta quarta-feira, quatro deles com magnitudes superiores a 5.0 na escala Richter: dois de 5.1, um de 5.5 e outro de 5.4.

https://www.provincia.biella.it/

Segundo o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV), os tremores nasceram do mesmo sistema de falhas ativado pelo sismo de 24 de agosto, que foi de 6.0 e matou 299 pessoas, a maioria delas em Amatrice.

O país está localizado sobre as placas tectônicas africana e euroasiática, que se chocam constantemente. Além disso, a primeira se move cerca de dois centímetros por ano rumo ao norte, movimentando a cordilheira dos Apeninos, espécie de "espinha dorsal" que corta a Península Itálica no sentido norte-sul.

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