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Entenda a importância dos Tratados de Roma para a Europa

Fabio Botto
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Basta um rápido olhar sobre a história da Europa para perceber que sua trajetória sempre foi marcada por guerras: da batalha pela conquista de Troia, ainda na Antiguidade, aos combates para derrotar o nazifascismo, na década de 1940, o continente experimentou poucos períodos de paz duradoura nos últimos milênios.   

Foi justamente para interromper esse percurso belicoso que, em 25 de março de 1957, Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo assinaram os chamados “Tratados de Roma”, que deram origem à Comunidade Econômica Europeia (CEE), uma união aduaneira que, no início da década de 1990, seria rebatizada como União Europeia.   

https://www.provincia.biella.it/

Apesar de conflitos em alguns países do continente, como as guerras balcânicas no fim do século 20 e o confronto atual no leste da Ucrânia, a criação do bloco pacificou as principais potências europeias, que haviam passado boa parte de suas histórias guerreando entre si.   

Nem tudo são flores na trajetória da UE – seu desejo expansionista está no centro da crise ucraniana -, mas é inegável que ela serviu para colocar países historicamente rivais, principalmente Alemanha e França, em um mesmo caminho e para criar um bloco capaz de se contrapor, política e economicamente, à influência das duas potências então dominantes: Estados Unidos e União Soviética.   

Em 2012, a Noruega, que não faz parte da União Europeia, concedeu o Prêmio Nobel da Paz ao bloco, que, segundo as palavras do comitê responsável pela honraria, “contribuiu para o avanço da paz e da reconciliação, democracia e direitos humanos na Europa”.   

Naquela tarde chuvosa de 25 de março de 1957, os seis países fundadores assinaram dois tratados: um deles constituiu a Comunidade Europeia da Energia Atômica (Euratom), hoje autônoma.   

O outro formou a Comunidade Econômica Europeia.   

Com o objetivo declarado de promover uma integração política cada vez mais estreita, a CEE estabeleceu um mercado comum para a livre circulação de produtos, pessoas, serviços e capitais, assentado em robustos sistemas de bem-estar social, hoje bastante questionados devido ao peso da crise econômica e da imigração.   

O tratado se compromete explicitamente com a paz no continente e com a disseminação de seus ideais por outros países, além de ter criado uma política agrícola comum e proibido subsídios de Estado a empresas privadas. Em Roma, também surgiram os embriões das principais instituições do bloco, como a Comissão Europeia (poder Executivo), o Tribunal de Justiça (poder Judiciário) e a Assembleia Parlamentar, atual Parlamento Europeu (poder Legislativo).   

https://www.provincia.biella.it/

Suas regras passaram a valer no dia 1º de janeiro de 1958, iniciando um caminho de crescente integração na Europa, que décadas mais tarde ganharia inclusive uma moeda comum, o euro, bode expiatório usado para alavancar partidos populistas nas urnas. Desde então, o bloco ganhou corpo, influência e novos membros: hoje são 28, em breve 27, por causa da saída do Reino Unido.  

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