
No encontro do órgão executivo do PDL foi aprovado um documento no qual os governistas acusam Fini de ter adotado, junto a um grupo de seguidores, "um perfil político de oposição ao governo, ao partido e à presidência do conselho" diretivo.
Em nota divulgada após as discussões, a legenda diz que tal postura foi manifestada a partir de "uma crítica demolidora contra as decisões tomadas pelo PDL", assim como "um ataque sistemático e direto ao papel e à figura do presidente" do Conselho de Ministros da Itália, Berlusconi.
Ente os pontos, o texto cita que "Fini e alguns legisladores que o seguem formularam orientações e até projetos de lei relacionados a temas importantes, como o prazo para pessoas que queiram adquirir cidadania [italiana] ou o voto dos imigrantes extracomunitários em aberto contraste com a maioria" dos militantes.
Após o encontro, Berlusconi explicou que ficou claro o "desacordo por parte de Fini e de homens próximos a ele em relação ao governo, à maioria e ao presidente do Conselho".
O premier ressaltou ainda que a agremiação "não pode pagar um preço demasiadamente alto de mostrar-se como uma força dividida".
"Eu nunca respondi às críticas", pelo contrário, "sempre tivemos uma conduta responsável, levando em consideração o momento de crise que vivemos", expressou o primeiro-ministro.
A ruptura com Fini, que dissolveu o seu partido de direita para criar o PDL com Berlusconi, foi decidida por 33 dos 36 membros da cúpula da legenda.
Mas ainda não foi definido o futuro dos membros do governo italiano que são partidários ao titular da Câmara, embora o documento aprovado ontem contenha implicitamente um pedido de renúncia à presidência da casa legislativa.
De acordo com a nota, Fini "não possui mais as características de uma figura de garantia".
Por outro lado, dirigentes próximos ao político apontaram que seria impossível propor um voto de desconfiança contra o titular da Câmara, que pode ter uma expressão diferente à do governo. A posição é respaldada por analistas políticos.
O tema, que dominou o debate político italiano desta quinta-feira, fez com que parlamentares fiéis a Fini saíssem a campo para começar a organizar novas bancadas na Câmara e no Senado, reiterando apoio ao legislador.
Por sua vez, procurado por jornalistas, Fini evitou comentar o assunto, deixando a sede da Câmara sem fazer nenhuma declaração.
Fundado em março de 2009, o PDL é integrado pelos antigos membros da Aliança Nacional, de Fini, e do Movimento Social Italiano-Direita Nacional (MSI-DN).




