Catolicismo Romano

A Santa Sé à Fraternidade São Pio X: Iniciemos um diálogo, mas que sejam suspensas as ordenações episcopais

Um encontro “cordial” e “sincero”, realizado com o “beneplácito” do Papa Leão XIV, caracterizado pela proposta de iniciar “um diálogo especificamente teológico” e concluído com uma recomendação clara: que a Fraternidade São Pio X suspenda a decisão das ordenações episcopais anunciadas, pois isso “implicaria uma ruptura decisiva da comunhão eclesial (cisma) com graves consequências para a Fraternidade como um todo”.

Realizou-se o diálogo entre o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Víctor Manuel Fernández, e padre Davide Pagliarani, superior geral da FSSPX, a fraternidade sacerdotal mais conhecida como lefebvrianos, que remete a bispo Marcel Lefebvre, que fundou a associação na década de 1970 em oposição às reformas do Concílio Vaticano II.

O encontro com o cardeal argentino foi anunciado em 4 de fevereiro como o primeiro resultado concreto dos “contatos” entre a Santa Sé e a FSSPX, com o objetivo de “evitar desentendimentos ou soluções unilaterais para as questões que surgiram”.

Este último ponto foi enfatizado em um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, publicado em 3 de fevereiro, um dia após a Fraternidade anunciar consagrações episcopais. Foi o próprio Pagliarani, durante uma cerimônia realizada no seminário da FSSPX em Flavigny-sur-Ozerain, na França, a anunciar que confiaria aos dois bispos da comunidade, o espanhol Alfonso de Gallareta e o suíço Bernard Fellay, a tarefa de “prosseguir com novas consagrações episcopais” em 1º de julho, sem a aprovação do Papa.

Um gesto que repetiria aquele de 30 de junho de 1988, quando o arcebispo Lefebvre ordenou quatro bispos, incorrendo em excomunhão latae sententiae. Dois dos quatro eram os próprios Fellay e de Gallareta.

No comunicado do superior geral de início de fevereiro, era feita referência a uma carta enviada à Santa Sé expressando “a particular necessidade da Fraternidade de assegurar a continuidade do ministério dos próprios bispos” e era enfatizado que até aquele momento que nenhuma resposta havia chegado de Roma.

O encontro entre o prefeito da Doutrina da Fé e o superior da FSSPX foi realizado no prédio do Santo Ofício. Os detalhes do encontro constam de um comunicado assinado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández que afirma que, “depois de ter esclarecido alguns pontos apresentados pela FSSPX em diversas cartas, enviadas principalmente entre 2017 e 2019 — discutiu-se, entre outras, sobre a questão da vontade divina em relação à pluralidade das religiões —, o prefeito propôs um caminho de diálogo especificamente teológico, com uma metodologia muito precisa, sobre questões que ainda não foram suficientemente esclarecidas”.

Entre esses temas: “A diferença entre ato de fé e ‘religioso obséquio de mente e da vontade'” ou  “os diferentes graus de adesão que requerem os vários textos do Concílio Ecumênico Vaticano II e sua interpretação”. Ao mesmo tempo, foi proposto de “tratar uma série de questões listadas pela FSSPX em uma carta datada de 17 de janeiro de 2019”.

“Este percurso – continua ainda o comunicado – terá como objetivo destacar, nos tópicos discutidos, os mínimos necessários para a plena comunhão com a Igreja Católica e, consequentemente, para delinear um estatuto canônico para a Fraternidade, juntamente com outros aspectos a serem explorados mais a fundo”.

Da parte da Santa Sé, foi também reiterado que “a ordenação de bispos sem o mandato do Santo Padre, que detém o supremo poder ordinário, pleno, universal, imediato e direto, implicaria uma ruptura decisiva da comunhão eclesial (cisma), com graves consequências para a Fraternidade como um todo”. Portanto, “a possibilidade de se realizar este diálogo pressupõe que a Fraternidade suspenda a decisão sobre as ordenações episcopais anunciadas”.

O superior geral da FSSPX “apresentará a proposta ao seu Conselho e dará a sua resposta ao Dicastério para a Doutrina da Fé”. “Em caso de resposta positiva, os passos, etapas e procedimentos a seguir serão estabelecidos de comum acordo”, enfatiza o documento.

Na conclusão do documento, é feito um pedido de oração “a toda a Igreja” para que acompanhe “esta caminhada, especialmente nos tempos vindouros, com orações ao Espírito Santo”, o “principal artífice da verdadeira comunhão eclesial desejada por Cristo”.

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