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Avanço do feminicídio na Itália motiva críticas às políticas de Meloni para mulheres

Fabio Botto
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A Itália contabiliza 72 casos de feminicídio em 2025, segundo o observatório Non Una Di Meno, que monitora assassinatos de mulheres motivados por gênero, geralmente cometidos por parceiros atuais ou antigos. Desde então, outras quatro vítimas foram registradas, incluindo Luciana Ronchi, de 62 anos, e Vanda Venditti, de 80. Seis casos adicionais estão em análise como possíveis feminicídios. No ano passado, foram 116 ocorrências, uma leve queda em relação aos dois anos anteriores, mas ainda um indicador persistente da violência de gênero no país.

O tema ganhou ainda mais relevância diante das críticas à política do governo comandado por Giorgia Meloni, a primeira mulher a assumir o cargo de primeira-ministra na Itália. Desde que chegou ao poder, ela mudou o nome do tradicional Ministério da Igualdade de Oportunidades, que passou a se chamar Ministério da Família, Taxa de Natalidade e Igualdade de Oportunidades, conectando a pauta de gênero à agenda demográfica e familiar. Paralelamente, a Itália permanece como um dos poucos países europeus que não adotam educação sexual obrigatória nas escolas públicas.

https://www.provincia.biella.it/

Meloni defende a continuidade dessa ausência curricular, argumentando que a medida impede a entrada da chamada “teoria de gênero woke” no ambiente escolar. Especialistas e grupos de oposição, no entanto, afirmam que a falta de educação sexual básica perpetua uma cultura patriarcal e impede avanços reais no combate à violência de gênero.

– Enquanto a Europa avança, a Itália retorna à Idade Média – disse o parlamentar Alessandro Zan.

Organismos internacionais, como as Nações Unidas, apontam que programas de educação sexual eficazes são fundamentais para informar jovens sobre violência baseada em gênero e prevenir relações abusivas ainda no início da vida adulta. Apesar disso, o gabinete de Meloni recusou-se a comentar o tema recentemente. A primeira-ministra, que é mãe solo e defensora do modelo de família tradicional, diz ser “ridículo” afirmar que não faz o suficiente pelas mulheres.

O caso mais recente que reacendeu o debate foi o assassinato da modelo e empresária Pamela Genini, de 29 anos, morta em outubro. Segundo a investigação, seu ex-namorado Gianluca Soncin, de 52, teria entrado em seu apartamento e a esfaqueado. Ele está preso em regime de isolamento, respondendo a acusações de homicídio voluntário, crueldade, perseguição e premeditação. Genini, que tinha carreira consolidada e era influente nas redes sociais, tornou-se mais um símbolo do problema crescente.

O governo Meloni aprovou, nos últimos anos, leis que ampliam penas em casos de violência doméstica e estabelecem medidas específicas contra o stalking, muitas delas motivadas por feminicídios anteriores. Ainda assim, críticos observam que a violência contra mulheres continua em trajetória preocupante, enquanto persistem desigualdades estruturais no mercado de trabalho — onde italianas podem ganhar até 40% menos que homens — e uma queda acentuada da taxa de natalidade, que recuou 6,3% nos primeiros meses de 2025 em relação ao ano anterior.

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